Nascer de novo

JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
de Ribeirão Preto, SP

"Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (João 3:3)

O mais claro pronunciamento de Jesus a respeito das vidas sucessivas, ocorreu em seu encontro com o fariseu de nome Nicodemos. Disse-lhe o Mestre, clara e diretamente: "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Nicodemos pergunta: - "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? . Jesus insistiu: "quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido do espírito é espírito. Não surpreenda porque lhe digo que é necessário nascer de novo. O vento sopra onde quer, você ouve sua voz, mas não sabe donde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do espírito".

Nesse diálogo, vemos Jesus referir-se a vários aspectos da reencarnação.

Em primeiro lugar, o Mestre afirma a necessidade do renascimento para alcançarmos a perfeição, ou o reino de Deus. Em seguida, vem o esclarecimento a respeito do corpo e do espírito. Aquele nasce da água (símbolo do nascimento físico), ou da carne, como esclarece Jesus. Já o espírito, tem origem diversa. E, durante a encarnação, em virtude do esquecimento do passado, não sabemos de onde vem, nem para onde vai. É como o vento, cuja voz ouvimos, sem que possamos identificar sua origem ou prever seu destino.

A interpretação dessa passagem, no sentido de que Jesus se referia só ao renascimento moral, ou seja, à transformação moral porque deve passar a criatura para entrar no reino de Deus, como querem os que não aceitam a reencarnação, não satisfaz à lógica e ao bom senso. Jesus é claro: É necessário nascer da água (matéria) e do espírito.

Acabamos de ler o livro Muitas Vidas, Muitos Mestres, de Brian L. Weiss, psiquiatra nos Estados Unidos. Ele conta sua incrível experiência ao tratar uma determinada paciente. Após mais de um ano de psicoterapia convencional, a paciente continuava gravemente debilitada, embora devesse apresentar melhoras ao final daquele período. Por sugestão dele, ela concordou em tentar a hipnose (uma forma de concentração focalizada) para recordar sua infância, numa tentativa de descobrir os traumas reprimidos ou esquecidos que o médico sentia serem causadores de seus sintomas. Hipnotizou a paciente a um nível profundo e, inadvertidamente, deu-lhe uma instrução não direcionada e ilimitada: "Regresse ao tempo em que seus sintomas surgiram". Ele esperava que a paciente voltasse à tenra infância, mas, para sua surpresa, ela voltou atrás quatro mil anos para uma antiga vida dela, no Oriente, em que tinha rosto e corpo diferentes, cabelo diferente, nome diferente. Ela recordou detalhes de topografia, trajes e artigos de uso cotidiano da época. Lembrou eventos daquela vida, até o momento em que se afogava numa inundação ou maremoto, enquanto seu bebê lhe era arrancado dos braços pela força das águas. As sessões de hipnose continuaram e os sintomas da paciente começaram a melhorar expressivamente. O médico sabia que a fantasia ou o material onírico não levariam a uma cura clínica tão rápida e completa. Semana após semana, os sintomas antes resistentes desapareciam à medida que, sob hipnose, a paciente recordava mais vidas passadas. Dentro de poucos meses ela estava totalmente curada.

O médico, de formação conservadora, sem nunca haver cogitado de imortalidade, ou vidas passadas, foi colhendo farto material para reflexão. Num determinado dia, após reviver sua morte numa antiga existência, a paciente "pairou acima do corpo e foi levada para a luz espiritual que sempre encontrava no estado de entrevidas" e, mediunicamente, fez-lhe importantes revelações. Deu notícias do pai dele, desencarnado há alguns anos, e do filho dele, falecido com 23 dias de idade, fornecendo detalhes da enfermidade, e as causas de tais acontecimentos. Esses fatos haviam ocorrido em outra cidade, 700 km distantes dali, e a paciente não tinha conhecimento deles. Após narrar o ocorrido, declara o médico "e então ela (a paciente) mudou por completo todo o resto de minha vida".

Após o livro citado, o mesmo autor já escreveu mais dois: A cura através da Terapia de Vidas Passadas, e Só o Amor é Real, tratando da mesma temática - Imortalidade, reencarnação, evolução, justiça divina, causa dos sofrimentos e das diferenças individuais, etc..

São contribuições importantes à divulgação dos princípios defendidos pelo Espiritismo, pois procedem de meios científicos, utilizando métodos imparciais, livres de preconceitos chegam a resultados exatamente idênticos aos preconizados pela Doutrina Espírita.