Afinal, para que servem os pais?

NILZA TEREZA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto-SP

Pergunta estranha deve estar pensado o leitor; mas exatamente a que fiz ao terminar a leitura da matéria publicada na revista Veja de 4 de dezembro de 1996, em páginas amarelas sob o título "Sexo é educação" e com o subtítulo "Mas os pais não devem meter-se nos assuntos de cama de seus filhos. É o que diz a psicóloga especialista em jovens". Agora o leitor já deve ter entendido a pergunta que deu título a esta matéria e compreenderá ainda melhor quando lembrarmos que não se está falando de filhos adultos, mas de filhos adolescentes.

Na semana seguinte, assim que recebi a revista corri a seção Cartas pois imaginava que haveria grande quantidade de protestos. Não, apenas uma carta. Das duas uma, ou realmente não apareceram as cartas ou a revista não as publicou, o que não é costume do periódico em questão, pois em assuntos polêmicos traz uma estatística das cartas a favor e contra a opinião do entrevistado.

Já passa um mês, entretanto vale a pena retomar pois a questão básica colocada é a função dos pais. Diz a entrevistada que os pais são educadores e não confidentes de seus filhos jovens, e que em situações como uma gravidez na adolescência não teriam "condições de segurar a barra"; entretanto diz que devem ter "demonstrações de apoio e compreensão".

Cada um tem o direito a ter opinião própria sobre o assunto, entretanto como analisar isso à luz da Doutrina Espírita? Para que alguém nasce como filho de alguém? Só de alegrias e satisfações devem os pais esperar daqueles que receberam como filhos? Qual o ônus emocional que assumimos como possível no reajuste daquele espírito que aceitamos na condição de filho? Educar também não é escutar e ajudar a clarificar situações que possam ser constrangedoras? Educar não é estar presente e participante sem necessariamente ser intromissivo e indiscreto? Educar não é agir por, sabemos, mas não é ajudar na tomada de decisão de como agir?

Quantas perguntas! Felizmente a Doutrina nos ensina responder a todas quando clarifica para nós o significado da experiência corpórea para o espírito. Colocando como meta a obtenção de valores éticos e morais que têm como paradigma os preceitos contidos nos ensinamentos de Jesus e mais quando nos ensina que a convivência familiar é de vital importância na aquisição desses valores que muitas vezes destoam do usual de uma época ou período da história da humanidade.

Ora assim compreendendo é impossível ser conivente com a idéia que jovens vivendo a usual "crise da adolescência", se afastem do diálogo com os pais quando se vêm frente a tomada de decisão dos rumos de sua vida sexual, sobretudo quando se baseia na suposição (que é da profissional em questão) de que os pais ficam muito perturbados com esse tipo de assunto, e que, portanto, estão mais "capazes" algum tio ou primo que não estariam emocionalmente tão envolvidos. Aqui surge novamente a questão: se os pais não podem dividir isso com os filhos para que, afinal eles servem?

Ao concluir essa matéria gostaria de destacar os riscos que estas idéias assim colocadas em periódico de grande circulação, têm para aqueles que estão procurando uma justificativa para se ausentarem de compromissos sérios, em relação a orientar o comportamento de seus filhos, sobretudo quando nós capazes de contestar (sem necessariamente polemizar) ficamos esperando a semana seguinte para ver quantos se manifestaram a favor ou contra.