A divina claridade

J. MARTINS PERALVA
de Belo Horizonte, MG

O sentimento religioso - matriz da fé divina - constitui preciosa e definitiva aquisição do homem. A fé, que lhe é conseqüência natural, mesmo com a dimensão de um "grão de mostarda" (Mateus, 17:20), é componente essencial à vida: "transportando montanhas, na expressão de Jesus (ainda em Mateus, 17:20), é fator decisivo para os reais triunfos da alma, para a efetiva tranqüilidade do coração. Patrimônio do espírito em todos os domínios do Universo, a fé deve ser edificada sobre alicerces da razão, que ilumina e equilibra.

Pensar, falar e agir - sobretudo agir - em consonância com a fé esclarecida, favorece o êxito de empreendimentos subjetivos, na área do sentimento, e no campo dos eventos pessoais.

Na confiança em Deus e em Jesus, haurimos bom ânimo e reconforto, entusiasmo e esperança. A crença religiosa é uma força incoercível, que nos compete estimular e vitalizar com vero sentimento de amor.

Os Espíritos Superiores, em bonita e profunda definição, inclusive ao nível de imagem literária, dizem ser a fé emanada das fontes celestiais "a divina claridade da certeza", a "mãe da caridade e da esperança", facultando-nos alegrias e triunfos na arena terrestre e no cenário eterno da Espiritualidade - triunfos e alegrias que nos fazem crescer a felicidade, sob a égide de Jesus.

Operaremos bem, em termos de fé, quando incentivarmos, com sinceridade, a crença sobre a qual repousam as esperanças de outrem, nutrindo almas idealistas e confiantes.

A marcha do sentimento religioso vem de longe, na saga da vida, representando sedimentação de remotas e contínuas experiências do espírito, vivenciadas, via de regra, num estuário de provações e lágrimas. Nossos anseios de evolução devem incluir o robustecimento da fé, pois ela garantir-nos-á, no porvir, um celeiro de bênçãos.

O direcionamento da fé para a auto-iluminação coloca-nos a mente e o coração em harmonia com as conquistas mais altas e significativas: esclarece-nos o intelecto; suscita-nos energias reparadoras e construtivas; revigora-nos o cosmo celular; fortalece-nos o ideal, em suas formas mais belas e sublimes; impede-nos a atrofia da alma e o enfraquecimento dos valores fundamentais.

A escada da fé é variável: há jornadeiros das trilhas do aperfeiçoamento que, semelhantemente a nós próprios, tem-nos incipientes, mas, nem por isso, menos valiosa.

Admiráveis personalidades do Cristianismo marcaram suas vidas com vigorosos exemplos de fé: Paulo de Tarso, o incomparável herói das batalhas da fé renovadora; Estêvão, o suave apóstolo da fé serene, mas imbatível; Santo Agostinho, Bispo de Hipona, o Gênio da Cristandade, etc..

A fé diversifica-se, em singulares nuances: embrionária, nas suas primeiras manifestações; expectante, com estranhas vacilações, à medida que se desenvolve; enfim, a fé iluminada pela razão, caracterizando "a divina claridade da certeza", na sugestiva acepção dos Espíritos Sábios, pela missionária psicografia de Francisco Cândido Xavier.

"... A crença religiosa é uma força incoercível, que nos compete estimular e vitalizar ..."