JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
de Ribeirão Preto, SP
"Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm ter convosco com vestes de ovelha, mas que, por dentro, são lobos rapinantes. Conhecê-los-eis pelos frutos. Porventura se colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa dá bom frutos e a árvore má dá maus frutos. Toda árvore que não dá bom fruto não é boa; nem uma árvore má dá bons frutos. Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. É, pois, pelos frutos que os conhecereis" (Mateus, 7: 15-20)
Profeta era o homem que, entre os hebreus, predizia o futuro por inspiração divina. O verdadeiro profeta, no tempo de Jesus, era a pessoa austera, sóbria, de bons costumes, e que, com sensibilidade, recebia inspiração do plano espiritual superior. O profeta não só era uma espécie de vidente, de adivinho, mas também era um pregador das leis divinas, um orientador espiritual do povo. Portanto, era alguém de boa evolução espiritual, que renunciava os prazeres imediatos da vida material, para viver e ensinar o povo as coisas do espírito. Conseqüentemente, conquistavam prestígio, autoridade, respeito. Porém muitos que não possuíam essas qualidades e nem estavam dispostos a se exercitarem para desenvolvê-las, aperfeiçoando-se, ambicionavam a condição de profeta. Sem disposição para o trabalho do aperfeiçoamento espiritual, gostavam de desfrutar do prestígio, da autoridade, enfim do bom nome de profeta.
Hoje, podemos entender como profeta não só o que prediz o futuro, aquele que, com faculdades mediúnicas mais desenvolvidas, serve de intérprete aos habitantes do plano espiritual superior. Todos que procuram conhecer e se esforçam para viver os ensinos de Jesus, de um certo modo, pode ser considerado profeta. Todos recebemos influência do plano espiritual. Se nosso propósitos são bons, se alimentamos bons sentimentos, bons pensamentos e procuramos realizar o bem, os bons Espíritos nos auxiliam, servem-se de nós para concretização das boas obras. Por outro lado, sabemos que os mistificadores sempre se imiscuirão entre os servidores leais, iludindo os ingênuos e confundindo a muitos.
Podemos identificar as pessoas que não estão dispostas ao trabalho, à renúncia, ao sacrifício mesmo, em favor de uma causa, de um ideal. Mas gostam de aparentar essas qualidades. No nosso caso, como espíritas que somos, muitas vezes não queremos nos entregar ao estudo, ao trabalho, ao empenho em prol da própria renovação íntima, mas queremos ser médiuns famosos, médiuns de psicografia, de psicofonia, de cura, etc.. Jesus certamente sabia que surgiriam falsos profetas do Cristianismo. Os que não procuram conhecer, nem praticar os ensinos, mas querem passar por mestres, por reveladores da mensagem cristã. E nos ensinou a identificar o verdadeiro profeta. Não por aquilo que ele fala, nem pelo que aparenta ser; não pelo saber que pretende demonstrar, mas, sim, por aquilo que faz, pelo que produz, pelo que realiza.
Não tivemos o prazer de conhecer o Dr. Camilo de Matos. Grande advogado, orador, espírita dedicado, muito fez pela divulgação do Espiritismo. Contam seus amigos que, num dos últimos discursos o Dr. Camilo de Matos alertou: Os verdadeiros adversários do Espiritismo estão nas suas próprias fileiras. E ponderava a necessidade de estarmos atentos, alertas, para determinadas pessoas que, em se dizendo espíritas, traziam apenas confusão, críticas destrutivas, desânimo, para o movimento. Como vemos, o problema não é novo, é de todos os tempos. Podemos observar aqueles que, em vez de servir à Doutrina, querem se servir dela para se projetarem, para dar vazão à sua vaidade, ao desejo de aparecer, ao personalismo, às vezes até com interesses políticos, ou mesmo de ganho material. Jesus nos ensinou com clareza. Reconhece-se a árvore pelos frutos. A árvore boa não dá maus frutos e a árvore má não dá bons frutos. Também a pessoa é conhecida por aquilo que produz, pelo que realiza. Há aqueles que só aparecem nos dias de festas, que gostam de sugerir, de dar opiniões, de exibir conhecimentos. Mas nunca têm tempo para nada. Não assumem compromissos, não querem responsabilidades. O ensino do Mestre é muito útil para o nosso próprio uso. Vale nos questionarmos, nos analisarmos. Quais os frutos que estamos produzindo? quais as reações que estamos provocando nos outros? Será que pensando estender a luz estamos favorecendo a sombra? Que tipo de árvore somos?
"Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo". Significa que não teremos sempre as mesmas oportunidades. Se não aplicarmos bem os recursos que o Pai nos confia, recursos de habilidade, de inteligência, de saúde, de tempo, de capacidade para o trabalho, de possibilidades financeiras, etc.. Se não aplicarmos bem esses recursos, eles poderão ser transferidos para outras pessoas mais dedicadas, e nós teremos que lutar com maiores dificuldades para realizar a nossa evolução espiritual, porque não soubemos, ou não quisemos, utilizar para o bem os talentos que nos foram confiados.