Rezar cura?

ARY C. NOGUEIRA
de São José dos Campos, SP

Muito esclarecedor o artigo intitulado "Rezar Cura?", publicado na revista "Seleções" de agosto/96, onde o ilustre Dr. Larry Dossey, médico do "Parkland Memorial Hospital" de Dallas, Texas-USA, conta suas observações a respeito desta questão.

Nessa sua narrativa ele analisa, com olhos de pesquisador, inúmeras ocorrências de melhoras e até curas de doenças graves, através do auxílio de orações.

Inicia o relato de suas observações, contando o ocorrido com um seu paciente, internado no hospital, em fase terminal, com câncer em ambos os pulmões. Essa pessoa, pelo que observou, recebia, diariamente, a visita de amigos que oravam e cantavam músicas religiosas em volta de seu leito.

Algum tempo depois, um colega, a quem havia transferido o caso, chamou-o, surpreso, para mostrar-lhe o paciente completamente curado. Diz ele: "Os pulmões do homem estavam completamente limpos; não havia o menor vestígio da doença. "Lembrou, então, de que a única assistência diferente aplicada, foram as orações dos visitantes.

A oração, segundo nos ensinou Jesus, para alcançar seu objetivo, deve ser simples, espontânea, em recolhimento e, principalmente, movida por uma fé sólida e muito amor.

A humanidade, porém, que sobreviera ao Divino Mestre, passou a se apegar às formas ritualísticas e aparências externas, e, aos poucos, foi alterando as diretrizes Evangélicas passando a orar com textos decorados, repetitivos e cercados de aparatos diversos, sem a preocupação com o sentimento íntimo e com a "fé que remove montanhas."

Com o advento da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, aqueles que passaram a aceitar os ensinamentos dos Espíritos Superiores, voltaram a proferir suas preces de acordo com os exemplos legados por Jesus.

Recordamos aqui alguns trechos dos ensinamentos ministrados pelo Espírito da Verdade, em resposta às indagações de Kardec. Na orientação dada à pergunta de n.° 658, de O Livro dos Espíritos, lemos: "A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele"; e, mais adiante, afirma: "A prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade", acrescentando a seguir: "O essencial não é orar muito, mas orar bem."

Completando esses ensinamentos encontramos em O Evangelho Segundo o Espiritismo todo o capítulo XXVII dedicado ao estudo da oração. Destacamos, pelo seu valor instrutivo, o seguinte trecho: "Não afeteis orar muito, pois não é pela multiplicidade das palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas."

André Luiz, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos esclarece, no livro Missionários da Luz, pág. 67, que: "os raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência."

Vemos que o ato de orar não requer fórmulas, lugares ou posições, mas sim fé sincera, muito amor e desejo de ajudar ou ser ajudado. Com esse procedimento poderemos confirmar as observações do ilustre Dr. Larry Dossey e afirmar, também, que a REZA REALMENTE CURA.