Criança de rua

THEODORO JOSÉ PAPA
de Ribeirão Preto, SP

Criança de rua jaz na sarjeta,
Triste, esperando uma gorjeta,
Para buscar o pão de cada dia,
Pois há tempo ela não comia.

Criança da rua, só, na calçada,
Faminta em plena madrugada
À espera do sol para aquecê-la,
Ou alguém que venha socorrê-la.

Criança de rua, noite escura,
Muito sofrimento e amargura,
Febre, com tremor e abandonada,
Coberta velha e esfarrapada.

Criança de rua em noite fria,
Sabe Deus como sofria
Pois a dor não a abandonava,
E pouco, quase nada, ela andava.

Criança de rua sem teto, sem lar,
Sem pouso e sem ninguém para amar,
Mãe desconhecia seu nome,
Neste mundo só conheceu a fome.

Criança de rua, abandonada,
Descalça, correndo longa estrada,
Buscando afeto, onde estava
Esse grande amor que sonhava?

Criança de rua, amedrontada.
Temerosa, vivendo isolada,
Temendo represália, prisão,
Ante um povo mau, sem coração.

Criança de rua, noite de Natal
Ela nunca viu festa igual,
Roupa suja, sem onde morar
E também onde repousar

Criança de rua, cara pintada,
Pelo sofrimento desfigurada,
Buscando alguém que a acolhesse
Ou um pouco de carinho que recebesse.

Criança de rua, alto-falantes,
Onde estão teus governantes?
As promessas que todos fizeram?
Veja, todos eles desapareceram.