NILZA TERESA ROTTER
PELÁ
de Ribeirão Preto-SP
Interessante matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, de 28 de fevereiro p.p., que leva o título "Medo de Deus é causa de estresse infantil" a qual relata pesquisa realizada por pesquisadora da PUCCAMP (Pontifícia Universidade Católica de Campinas).
A pesquisadora Marilda Lipp estudou crianças de 7 a 10 anos, oriundas de famílias com diferentes religiões e encontrou que, entre as 40 crianças estudadas, 75% apresentam estresse relacionado ao medo de Deus.
"Segundo a pesquisadora muitas crianças disseram ter a sensação de estarem sendo 'vigiadas' por um deus capaz de castigá-las se não agirem de acordo com os padrões determinados pelos pais, religiões ou escola."
A reportagem apresenta um encarte onde é destacado a opinião de psicólogos segundo as quais este medo se deve muito mais a influência da família que da religião e da escola. Comentam, estes profissionais, que em um primeiro momento a criança apresenta uma submissão a tudo que lhe é apresentado como autoridade, inclusive Deus que transcende a sua compreensão, entretanto mais tarde, por ocasião da adolescência ocorre uma contestação à autoridade que pode incluir também o próprio Deus.
Triste Legado o recebido por estes espíritos que reingressam em uma nova existência corpórea aprendendo temer a Deus e, não amá-Lo e respeitá-Lo.
Este atavismo - medo de Deus - que aparece na mais remota história da humanidade, oriundo da incapacidade de entender Seu poder que não se expressasse em domínio, porque, domínio e castigo eram as formas que os homens poderosos se relacionavam com aqueles que deles dependiam. Esse comportamento atávico ainda é presente em nossa sociedade, nos dias atuais, como evidencia esta pesquisa ao destacar este tipo de conceito incorporado como preceito educativo.
Comentando a matéria outra psicóloga considera que incutir medo "revela o despreparo dos adultos para enfrentar determinados problemas" e que "utilizam da figura do poder para lidar com situações difíceis."
Podemos ainda considerar que adultos que assim agem estão transferindo para Deus uma responsabilidade que é sua, sobretudo quando sentem que a tomada de atitude pode ser um tanto quanto aversiva e, que talvez, a criança possa amá-la menos por isso.
Temos que considerar que incutir esse medo nem sempre é tão explícito, mas que ele pode vir velado em afirmações corriqueiras que se verbalizam no dia a dia, tais como "Papai do céu não gosta", "Papai do céu vai ficar triste", "Deus está vendo", "Você pode esconder de mim, mas de Deus você não esconde."
Quando assim nos expressamos não estamos incutindo na criança, ou no jovem, que condutas corretas devem ser nosso alvo de ação porque assim é que se tem um comportamento moralmente sadio e que agir bem não se deve dar por alguém estar nos vigiando, mas porque o agir correto é fonte de felicidade pessoal, pelo fato de nos colocar em paz com nossa consciência, bem como por propiciar a construção de uma sociedade mais justa, baseada no respeito a si e aos outros.
Medo da "divindade" é próprio daqueles que ainda não conhecem a Mensagem de Jesus, que revogou a lei do medo pela inesgotável lição do amor.
Este é um paradigma muito mais sadio e inovador nos processos educacionais em qualquer faixa etária. Além de crianças estressadas por medo de Deus, sabemos que na atualidade muitos adultos também o são, pois este "modelo" de gerar respeito ainda é muito corriqueiro.
As grandes transformações sociais de nossa época apontam para a inefitividade de se trabalhar com o medo, uma vez que ele é repressivo e tudo o que comprime um dia estoura, aí, então, as conseqüências são funestas e longo tempo e, provavelmente, algumas reencarnações serão necessárias para o restabelecimento da harmonia.
Atualmente fala-se cada vez mais em processos de adoecer onde os componentes emocionais e afetivos são de relevante importância, exemplo disso são as síndromes de fobia que aparecem e se desenvolve em determinadas pessoas, tornando-as até incapazes de exercer suas atividades profissionais e de auto cuidado.
Não foi sem propósito que Jesus nos ensinou que muito de nossos sofrimentos ocorrem pela dureza de nossos corações, ou seja, pela dificuldade de modificação de nossos comportamentos atávicos que estão sempre nos remetendo para ações destituídas de amor, humildade, simplicidade e tolerância.
Se nos determos a refletir sobre a ação do medo vamos perceber que seu alvo é gerar submissão, entretanto, interessante análise pode ser feita do termo submissão, se a palavra for decomposta chegaremos a sub-missão ou seja abaixo de nossa missão, qual seja de sermos livre pela verdade que produz comportamentos autênticos o que, com certeza, o medo não pode fazer.
Urge que nosso empenho nos direcione no sentido de trabalhar nossos sentimentos porque sabemos são eles, nossos sentimentos, que determinam nossos valores e que será a disciplina que nos encaminhará na direção destes valores.
Interagir baseado no medo é sufocar as potencialidades do ser, uma vez que prevalece a submissão, entretanto interagir com Amor nos leva a maior gratificação que alguém pode ter, a de ver o ser amado desabrochar.