O fidalgo de ontem

THEODORO JOSÉ PAPA
de Ribeirão Preto, SP

"Horror, vivo num mundo isolado,
Ao ver-me todos se apavoram,
Diante de um corpo transformado,
Em monstro que os vermes devoram.

Sofro angústia e amargura,
Herança do passado criminoso,
Quando chicoteava criatura,
Galgando um corcel todo fogoso.

Hoje vivo em mísera choupana
Com uma porta e uma janela,
Fustigado por uma dor insana,
Esquecido em desprezível favela.

O desânimo abateu-me a vida,
Mas me vejo em riquíssima mansão,
Hoje sem afeto e sem comida,
Sem força para levantar deste chão".

Falamos do Evangelho de Jesus,
Do paralítico à beira mar,
Iluminado por uma grande luz,
Levantou-se e começou a andar.

Era o galã dos tempos feudais,
Transformado em mísero leproso,
Resgatando em penas infernais,
O crime, o orgulho rancoroso.