A rotina destruidora da vida

AMÍLCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos-SP

A rotina esmaga a beleza da vida, destruindo sonhos e até casamentos, porque o desejo de emoções fortes faz o homem sair a procura dessas emoções. Depois... depois vem novamente a rotina, porque a ferrugem acompanhou a pessoa à sua nova condição. Poucos percebem que uma das emoções mais fortes é a de construir um mundo novo, de fraternidade, de paz, de justiça.

Uma das rotinas improdutivas é o destaque excessivo que se dá às coisas ruins. Os desastres naturais ou provocados recebem manchetes imensas nos jornais e o rádio e a televisão ocupam muito tempo da sua programação nos detalhes.

Hoje em dia fala-se muito em organizações criminosas, crime organizado, e muitas outras coisas. O mundo do crime, especialmente o terrorismo e os tóxicos causam pânico nas pessoas, entretanto, pouco se fala nas organizações que trabalham pela paz, que combate a fome e a miséria, que cuida da vida de milhões de crianças em todo o mundo.

A mídia destaca a corrupção existente nos organismos policiais, e o povo se apavora porque depende da polícia para a manutenção da ordem, entretanto não se fala muito sobre policiais que sacrificam a própria vida na defesa de pessoas ou instituições. Se há policiais desonestos, existe uma maioria de policiais civis e militares que são honestos, dedicados aos seus deveres.

O mesmo se dá com o funcionalismo público. Maus funcionários, indolentes, preguiçosos levam ao descrédito um maior número competentes, esforçados, honestos.

As drogas ilícitas que causam dependência são sempre citadas, assim como os traficantes. No entanto existem remédios, que normalmente também são chamadas de drogas, que salvam vidas e são produtos de pesquisas, esforços contínuos de pessoas dedicadas.

Observe o homem que planta mantimentos, que planta flores, que educa crianças, que ensina no magistério público ou privado, que adota filhos nascidos de outros úteros, que cuida de deficientes físicos e mentais.

Não estamos tapando o sol com a peneira, pois o mal existe, e fingir que ele não existe é muito perigoso, pois o mal precisa ser combatido para não se expandir, não se enraizar ainda mais no terreno social. Mas, valorizar demasiadamente o mal, também é nefasto, porque causa pânico nos mais tímidos.

Existem guerras? Sim! Mas existem também os que constroem a paz. Existem doenças? Sempre existiram. Mas sempre existiram, também, os que se dedicam a curá-las. Há homens maus, porém existem muitos homens bons.

Para compensar os Torquemadas e todos inquisidores, a igreja produziu Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Teresa D ávila, irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá...

Para compensar a ação dos déspotas, ditadores sanguinários que afrontaram a civilização; para se contrapor a ação dos Bárbaros de todos os tempos, a humanidade produziu homens santos, (entenda como sanidade) heróis da paz, das ciências, dos direitos humanos, como Sócrates, Buda, Gandhi, Albert Schwartz, Oswaldo Cruz, Marechal Rondon, Pasteur, Hellen Keller, Chico Xavier e muitos homens e mulheres de todas as nações que sempre construiram a paz.

Vamos destacar a humildade, pois são os humildes que fazem o mundo melhor, e não receberão medalhas e nem Prêmio Nobel, mas sem eles a vida seria mais escura e triste.

Olhe à sua volta e poderá reconhecer muitos deles, e constatará surpreso que eles respondem por nomes comuns, como, pai, mãe, irmão, amigo, companheiro, professor, estranho, desconhecido...

Ofereça-lhes ao menos um sorriso, um aperto de mão. Nem isto eles exigem, mas a nossa atenção, o nosso reconhecimento lhes dará forças para continuarem brindando a vida com o seu amor.