JOSÉ JORGE
do Rio de Janeiro, RJ
Em fevereiro do ano de 1994, indo à Federação Espírita Brasileira para nossa costumeira palestra mensal, em conversa com o estimado e culto confrade, que nos presidiria naquela noite, dele ouvimos uma conversa do querido médium Francisco Cândido Xavier com um impaciente confrade, que reclamava contra a falta de novas revelações do Plano Espiritual aos homens.
Por mais que o Chico procurasse exaltar e valorizar as notícias que o mundo maior já nos enviara, insistia o inconformado reclamante a respeito da ausência de outras novas mirabolantes, que os Espíritos nos deviam continuar remetendo.
"Então - procurava justificar o Chico - a Doutrina Espírita já não é, por si só, uma revelação para, no mínimo, um milênio?
Os relatos de André Luiz já não valem como grandes e instrutivas novidades, que ainda são mal aproveitadas? "
"Sim, concordava, em parte, o ranzinza, mas isso já tem algum tempo e as coisas evoluem. A era já é da eletrônica e da transcomunicação
Por que os Espíritos não se comunicam logo, de forma ostensiva, para orientação dos viventes? A Ciência pode ajudar muito e quanto se ganharia em matéria de tempo..."
"É verdade, procurava conciliar nosso valoroso médium, mas não se esqueça da importância do aproveitamento das conotações e conseqüências morais, que decorrem das novidades já trazidas e ainda pouco aproveitadas."
"Sim, concordava, afinal, nosso contestador amigo.
Mas foi só isso, até agora? Quando virão mais outras novidades?"
"De fato, concluiu o Chico, as outras novidades só virão, realmente, depois disso!..."
Se Allan Kardec não fosse prudente e não estivesse precavido contra a impaciência de muitos, em seu tempo, talvez tivesse comprometido a marcha da Doutrina.
Em Obras Póstumas, páginas 256 e 257, de 17 de junho de 1856, num diálogo de Allan Kardec com o Espírito de Verdade, encontramos:
Espírito de Verdade: "Tu mesmo compreenderás que certas partes só muito mais tarde e, gradualmente, poderão ser dadas a lume.
Toparás com alguns impacientes que procurarão empurrar-te para diante; não lhes dês ouvidos."
Em nota, escrita em 1867, diz Allan Kardec:
"Coisa estranha! Ao passo que uns me incitavam a andar mais depressa, outros me acusavam de não ir tão devagar quanto devia.
Não dei ouvidos nem a uns, nem a outros, tomando sempre por bússola a marcha das ideias."