NILZA TERESA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto, SP
Muito já se tem falado da influência da televisão sobre o comportamento dos jovens, adolescentes e adultos, sobretudo pelo volume de cenas vinculadas a violência, erotismo e drogas que invadem a telinha nos mais diferentes horários e nos mais diferentes programas, principalmente quando se tem canal por assinatura que não segue as mesmas leis de censura que os canais de livre acesso.
Nesta semana na coluna: Tempo de TV - Uma idéia para os educadores (VEJA, 21 de maio), Eugênio Bucci comenta com muita propriedade o assunto. Lembra uma estatística, segundo a qual, uma criança fica diante da TV, pelo menos três horas por dia. Aponta estudo realizado, no qual crianças expostas a filmes de violência e depois encaminhadas a áreas de recreação apresentam muito mais comportamentos agressivos, inclusive trocam mais tapas entre si.
Sugere o autor que proibir assistir TV seria uma atitude inadequada pois é impossível ir contra os meios de comunicação, portanto sobraria duas possibilidades: mudar a programação, o que seria árduo e difícil e dialogar com as crianças a respeito do que estão assistindo.
Não adianta nossa indignação sem uma ação efetiva e saneadora de nossa parte. Não adianta nos posicionarmos de forma quixotesca, tal como o personagem de Cervantes que se põe a lutar contra o moinho de vento como se ele fosse seu inimigo. Seria dar soco no ar.
O que está mais próximo de nós é justamente a criança a quem deve ser dirigida a nossa ação saneadora.
Primeiro nos lembramos que ela, a criança, não é um ser pacífico, que dentro das limitações que lhe impões a faixa etária, é capaz de expressar o significado, para ela, daquilo que viu. Mas é necessário que o adulto se predisponha a dispender tempo de ver com ela e depois tentar analisar criticamente o que foi visto e ouvido.
Entretanto esta proposta já fura o esquema dos adultos responsáveis que justamente põem a criança em frente à TV para ficarem liberados para outras atividades. Sem dúvida, podemos entender que nesta época a questão do tempo disponível fala alto, mas se pararmos para pensar que o dispêndio deste tempo poderá estar significando uma economia muito maior no futuro quando, longe de nós, os jovens já tendo tido oportunidade de desenvolver uma consciência crítica podem estar tendo ações mais adequadas e edificantes oriundas das troca de idéias frente a situações de violência, erotismo e droga, dentre outras, que ferem a ética e a moral, necessárias à vida em sociedade.
Estendendo nossa reflexão sobre o tema. Recordemos os jogos de video-game que têm prendido nossas crianças até 10 horas diárias frente a TV e os monitores. Recentemente assistíamos uma entrevista com dois irmãos, praticantes desta modalidade de divertimento que falavam do prazer que sentiam em destruir seu inimigo eletrônico e da incessante busca de novos inimigos, cada vez mais ardilosos, com quem pudessem lutar e adquirir novas estratégias de destruição.
"Ora! São inimigos de faz de conta", poderiam estar pensando alguns, mas é com eles que os jovens estão se relacionando e introjetando modelos de comportamento. Também aqui proibir não seria a melhor tática, pois tudo que é proibido, já sabemos, tem sabor especial. Novamente evocamos a necessidade de se estar junto ao jovem discutindo a prática, suas conseqüências, de maneira crítica e construtiva, permitindo que expressem seus sentimentos frente a carga agressiva contida neste tipo de jogos, sobretudo como ações violentas criando um círculo difícil de ser rompido com conseqüências funestas, inclusive para eles e todos aqueles que lhes são caros.
J. L. Moreno, o pai do psicodrama, critica, em sua obra, até o uso da boneca por se constituir um ser excessivamente passivo às manifestações de cólera e afeto por parte da criança, uma vez que não dá a ela o retorno no processo de seu relacionamento interpessoal.
Sabemos que a vida em sociedade, como nos ensina a Codificação, em A Gênese, é pedra de toque das boas e más qualidade, impossível pois manter-se insulado uma vez que de pouco proveito à nossa evolução isto teria. Aplica-se, também aos avanços do nosso tempo dos quais não nos é possível viver afastado, mas nos é possível dar-lhe uma direção diferenciada no seu uso adequado.
Assim, não se trata de isolar-se ou impor condições às crianças e jovens de forma que não saibam a respeito do que seus colegas estão falando, mas que tendo conhecimento do assunto ou do programa de televisão tenham opinião própria e convicção suficiente para expô-las e defendê-las dentro de um referencial baseado na moral ensinada pelo Cristo e ratificada na Codificação Kardecquiana.
Concluímos com as palavras de um Espírito Protetor, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. XVII, item 10) "...viveis com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai às necessidades, mesmo às frivolidades do dia, mas sacrificai com sentimento de pureza que as possa santificar."