Um recruta de fé

JOSÉ JORGE
do Rio de Janeiro, RJ

O tenente resolvera colocar em forma os recrutas recém-chegados ao quartel, para um contato informal, apenas para uma conversa amistosa:

— "Recrutas, gostaria de saber se vocês são religiosos e qual a convicção de cada um. Para os que são católicos, dêem um passo em frente!"

Imediatamente o comando do oficial foi atendido e quase todos deram um passo a frente, ficando poucos em seus primitivos lugares.

— "Agora, os que são protestantes, um passo para trás!"

E o resto do pelotão deu um passo a retaguarda.

Isto é, o restante menos um. Somente um ficou isolado, não tendo avançado, nem recuado...

— "Ei, você aí, gritou o tenente. Como é que vai ficar?"

— "Tenente, respondeu, com segurança, o recruta. Eu sou Espírita!"

Mal fez essa declaração e prorrompeu uma ruidosa vaia de seus colegas:

— "Macumbeiro! Macumbeiro!..."

Mas o jovem espírita, imperturbável, permanecia em seu lugar.

O tenente, esperando terminar os apupos dos colegas católicos e protestantes, falou:

— "Vocês agiram muito mal com o colega espírita, que demonstrou firmeza de caráter elogiável.

De vocês, os que se declararam católicos, quem não vai, de vez em quando, a um Centro Espírita? Os que vão voltem aos seus lugares!"

Um grande movimento aconteceu e muitos formaram ao lado do recruta espírita.

— "Agora vocês que se disseram protestantes!"

Novo movimento e alguns engrossaram as fileiras do "macumbeiro..."

Finalmente, o oficial cumprimentou o jovem soldado pela sua lealdade aos princípios espíritas, mesmo diante de uma hostilidade geral.

Jesus Cristo já houvera afirmado, em seu tempo:

"Todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos Céus." (Mateus, 8:28)