Editorial

BEZERRA DE MENEZES
E O TRABALHO DE UNIFICAÇÃO

No dia 29 de agosto de 1831, nascia no Ceará, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, mais conhecido entre nós, por Bezerra de Menezes e, ainda cognominado "O Médico dos Pobres" por aqueles menos favorecidos a quem os socorreu.

Em 11 de abril de 1900, portanto há 97 anos, Bezerra de Menezes desencarnava, no Rio de Janeiro, após ter vivenciado uma rica jornada terrena, onde não faltou o amor à Família, à Pátria, aos Pobres e ao Espiritismo.

No tocante ao Espiritismo, foi um grande entusiasta e trabalhador sincero. Tão logo se converteu ao Espiritismo, após ler O Livros dos Espíritos que lhe fora ofertado (em 1875), por Dr. Joaquim Carlos Travamos (o tradutor) ele não mediu esforços e recursos para contribuir com a causa espírita, passando a se vincular a várias frentes de trabalho, como ao jornal O Reformador (1883) e às atividades da própria Federação Espírita Brasileira (1884), além de responsabilizar por uma coluna espírita, no jornal "O Paiz" (de 1887 a 1894), sob o pseudônimo de Max.

Ao assumir a presidência da Federação Espírita Brasileira (1895) logo sua atenção foi atraída para o trabalho de unificação espírita e convocou os centros espíritas brasileiros localizados nos Estados da Federação a se representarem, em um conclave de âmbito nacional, no Rio de Janeiro, para, em conjunto, estabelecer as bases de um programa unificado.

Começara aí a germinar a primeira semente do trabalho de unificação espírita, ao qual devotaria grande amor e dedicação.

Considerava que já era tempo das forças sociais espíritas se reunirem, sob a mesma bandeira, desenvolverem atividades conjuntas e, assim assegurar a expansão do movimento espírita, em todo território nacional.

Para tanto, a União entre as sociedades espíritas era um fator fundamental para dimensionar a força do movimento e direcionar recursos para várias regiões. Com a União o meio espírita estaria somando as forças sociais, com as quais poderia resistir aos ataques dos detratores da 3.ª Revelação e estabelecer planos de atividades.

Porém, ainda seria necessário recorrer ao Método, através do qual essas mesmas forças pudessem se manter coesas e sustentadas, completando com o Trabalho, com o qual seriam definidas as tarefas a executar.

Cada centro espírita o faria de acordo com suas possibilidades e conveniências, de tal modo que "os fortes ajudariam os mais fracos", pois seriam solidários pela união de vistas.

Como se pode perceber, os conceitos de Bezerra de Menezes sobre a dinâmica do Trabalho de Unificação são atuais e presentes nos arraiais espíritas, como um roteiro seguro ao fortalecimento e à expansão do movimento espírita.

Porém, pouco estudados e pouco aplicados. Esses conceitos precisam ser mais "trabalhados e vivenciados para que o espírito da Tarefa Unificacionista" não permaneça só no pensamento do dirigente espírita, nem só no papel ou nos arquivos dos centros espíritas.

Se agosto nos lembra Bezerra de Menezes, agosto também nos lembra que é hora de aplicar os seus conceitos em tarefas concretas.

Pense Nisso. Pense Agora.