Os inimigos e a obsessão

ARY DA COSTA NOGUEIRA
de São José dos Campos, SP

Quando o Divino Mestre nos alertou (Mt. vv. 25 e 26), para entrarmos em acordo com os nossos adversários, enquanto com eles caminharmos, pois, caso contrário, graves seriam as conseqüências, Ele nos ensinou, claramente, que devemos, na nossa caminhada aqui na Terra, empenhar-nos em reconciliar com nossos irmãos em desavença a fim de livrarmos de problemas futuros, pois daqui não sairemos "enquanto não pagarmos o último centavo".

Para isso, conforme está registrado nos Evangelhos, devemos, sem mais demora: "amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem".

Por que tão séria advertência? Por que reconciliar e amar os nossos inimigos? Por que uma tarefa, para muitos, tão difícil e, às vezes, impossível? Tudo por que o reino de Deus, as outras moradas existentes na casa do Pai, são lugares de paz, bem-aventuranças e amor; onde o ódio, as inimizades e os sentimentos de vingança não podem impedir a nossa caminhada evolutiva.

A outra questão, de graves conseqüências, num futuro próximo, são os resultados dolorosos do não cumprimento deste tão valioso preceito evangélico. O ódio, o sentimento de vingança e as inimizades que levarmos para as vidas futuras, poderão não só retardar a nossa evolução espiritual como, também, acarretar-nos profundos sofrimentos através de obsessões vingativas, razão pela qual daqui (deste atual plano espiritual), não sairemos enquanto não saldarmos o último centavo das dívidas adquiridas.

"Este o grande problema da Humanidade: o confronto entre os que devem e os que se julgam no direito de cobrar. E para que atinjam seus objetivos, utilizam-se inúmeros métodos, buscando o acerto de contas". É o que nos esclarece Suely Caldas Schubert na introdução do seu orientador livro sobre tão importante assunto, intitulado: Obsessão-Desobsessão.

Foi a partir da codificação da Doutrina Espírita, que este tão importante tema passou a ser objeto de sérios estudos por parte dos espíritas e das ciências que cuidam da saúde das pessoas, pois o Espiritismo revelou-nos a existência dos dois planos da vida, o dos encarnados e o dos desencarnados e dos dramas que os envolvem.

O nosso insigne Mestre Allan Kardec definiu, claramente, esse assunto em o livro A Gênese - cap. XIV, item 46, ao escrever: "A obsessão é quase sempre um ato de vingança de algum Espírito, tendo na maioria das vezes origem na relação que o obsediado teve com o Espírito, em uma existência anterior."

Além das obras básicas podemos obter, na vasta e rica literatura espírita, inúmeros ensinamentos e citações de comprovados casos de obsessões, em sua grande maioria, ligados a problemas criados em pretéritas encarnações.

Destacamos, porém, pelo seu oportuno valor, uma entrevista com o estudioso Dr. José Lacerda Azevedo, realizada pelo Dr. Vítor Ronaldo Costa e que faz parte do seu livro: Os novos Horizontes da Medicina Espiritual, a ser brevemente lançado pela editora O Clarim. Essa entrevista foi publicada na Revista Internacional de Espiritismo, número de abril último. Entre outros trechos transcrevemos os seguintes: "A grande causa da doença mental é sem dúvida o problema da obsessão"... "Laços de imantação pelo ódio unem a vítima ao perseguidor por processo de desajuste e vingança que às vezes se perpetua por séculos", e, seguindo o que nos ensina o Evangelho diz: "Se houver perdão, não haveria obsessão, nem vingança, nem ódio". É ainda o ilustre entrevistado que afirma: "... fora as doenças causadas unicamente por distúrbios de natureza orgânica... todas as doenças mentais são de origens espirituais".

Por tudo isso é que, com o passar do tempo, melhor vamos entendendo a sábia resposta que Cristo deu ao apóstolo Pedro que indagou quantas vezes devemos perdoar: NÃO TE DIGO QUE ATÉ SETE VEZES, MAS ATÉ SETENTA VEZES SETE.