NAS PEGADAS DE CAIRBAR SCHUTEL
Foi na metade do século XX que assistimos o desenvolvimento das condições técnicas dos suportes que iriam dar à comunicação social os canais para uma atração mais ampla e eficaz sobre o grande público e a seus seqüentes.
A partir daí, surgiram o jornal moderno, a revista, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a Internet, permitindo que um volume considerável de informações atingisse um vasto contingente humano ávido de notícias e extremamente influenciável.
Uma breve retrospectiva sobre a história dos grandes vultos do Espiritismo nos dá conta que muitos trabalhadores espíritas, movidos pelo ideal, não ficaram indiferentes a esse progresso tecnológico e utilizaram esses recursos em favor da propagação da Doutrina Espírita.
Cairbar Schutel foi um deles. Nascido em 22 de setembro de 1868, foi um dos trabalhadores incansáveis da Seara de Jesus - sendo um dos primeiros a empregar os meios de comunicação social disponíveis, para ampliar o campo de penetração dos conceitos espíritas.
Além de se dedicar ao campo da assistência social e às causas públicas, o campo da propaganda ideológica foi a que mais marcou sua passagem terrena.
Numa época em que os meios de comunicação social eram parcos e inacessíveis à propagação dos princípios espíritas, Cairbar já utilizava o jornal ( O Clarim, em 1905), a revista (Revista Internacional de Espiritismo, em 1925), o rádio (Rádio Cultura de Araraquara, em 1936-37), além de ter lançado mão de uma editora (Empresa Editora "O Clarim", em 1911), através da qual editou 17 obras de sua própria autoria. Praticamente, utilizou quase todos os meios de comunicação de massa, da época, inclusive com pleno domínio da oratória, tendo se apresentado não só em centros espíritas, mas em teatros e em praças públicas.
"O segredo de seu dinamismo multiforme - escreveu o Prof. Ismael Gomes Braga - está em que ele vivia realmente a Doutrina Espírita, não somente a pregava".
O perfil de Cairbar Schutel deve servir de modelo ao comunicador espírita de nossos dias: pela demonstração clara de seu comprometimento com a Causa Espírita; pelo dinamismo pessoal de buscar novas alternativas e opções que favorecessem a veiculação da mensagem esclarecedora e consoladora do Espiritismo; e, sobretudo por manter em todas as situações a postura ética e corajosa, perante a opinião pública.
Não foi por acaso que recebeu o título de "O Bandeirante do Espiritismo", como também não é casual, na condição de Espírito, o seu interesse pelos destinos da Humanidade. Sigamos pois, as pegadas do "Bandeirante", pois a Seara é grande e muito há por se fazer.
"Que triste seria o mundo - diz Gabriela de Mistral - se tudo se encontrasse feito, se não existisse uma roseira para plantar, uma obra para se iniciar."
Pense nisso. Pense agora.