ORSON PETER CARRARA
de Mineiros do Tietê, SP
O orador vem de longe, venceu dezenas ou centenas de quilômetros para atender ao convite para palestra na cidade. Normalmente realizadas nos sábados a noite, conciliando horários e disponibilidades do companheiro que se dispõe ao trabalho da exposição doutrinária, em muitos lugares enfrenta a frustrante situação de pouco público, difícil para os organizadores e anfitriões, mas sempre compreendida pelo expositor que vê com alegria sua tarefa, não se importando com o número de ouvintes, mas com a qualidade desses ouvintes.
Não se deseja falar aqui em quantidade de público, pois é melhor um público pequeno interessado que um público enorme indiferente. E na verdade, não importa mesmo a quantidade. Na Doutrina todos desejamos qualidade e nisto não há mais o que discutir.
Nosso objetivo nestas ponderações foi focalizar o esforço dos companheiros que organizam as palestras, semanas espíritas, eventos em geral e que se vêem constrangidos ao constatarem a pouca adesão aquilo que prepararam com tanto carinho e esmero, preocupados mais com a divulgação espírita, com o oferecer de palestras, temas, oradores e eventos propiciadores de estudos, reflexões e valiosas oportunidades de crescimento para o espírita em geral.
O que tem ocorrido e fazemos nossas observações baseados no que aqui também ocorre, é a velha questão de prioridade. O Centro Espírita e suas atividades, a Doutrina e seu movimento ficam em situação secundária, procurados quando bate o sofrimento, quando se multiplicam as dificuldades e perturbações... A palestra do companheiro que veio de longe não é prioritária!? No sábado a noite tem o último capítulo da novela, esqueci que havia palestra, chegou gente em casa, perdi a hora de sair, sábado a noite preciso ficar para descansar e outros tantos argumentos.
Ninguém contesta as dificuldades e compromissos existentes. Cada um sabe de sua própria vida e esta é uma das características do espírita: a liberdade individual que ninguém tem o direito de contestar ou criticar. Isto é inquestionável.
Mas o que se nota, em muitos casos, é uma total indiferença às promoções do Centro e do movimento espírita, deixando-as em situação secundária, quando na verdade com todas as bênçãos e belezas oferecidas pela Doutrina Espírita às nossas vidas, o Espiritismo e seu movimento merecem prioridade em nossa vida. Exagero? Cremos que não! Felizmente, há muitos companheiros dedicados, priorizando as atividades do Centro Espírita e valorizando a mensagem espírita com muita seriedade e competência.
Mas, que não desanimem os dedicados organizadores de eventos e palestras. A tarefa é de grande alcance. Não os desanimem a indiferença, pois a beleza da Doutrina Espírita fica acima de tudo isso.
Isto tudo sem contar com as longas preces daqueles que abrem as palestras, tirando espaço do orador (a tarefa de divulgação é prioritária, pois visam o esclarecimento) ou mesmo oradores vindos de bem longe e que tem seu espaço de abordagem reduzido, em virtude do "imexível" (usando expressão de antigo ministro) passe...
Ora, nossa indiferença no comparecimento às palestras, nossa valorização de outras atividades também importantes porém secundárias, em detrimento à função maior do Centro Espírita, vem de encontro ao nosso próprio prejuízo pessoal, pois afinal perdemos o melhor que a Doutrina tem: o estudo, o conhecimento, o esclarecimento oportuno. E depois nos queixamos, dizendo que o Centro é "fraco" ou que a Doutrina não nos ajudou como queríamos...