SEBASTIÃO ANSELMO
de Santa Rosa de Viterbo, SP
Milhares de criaturas da Terra, ainda hoje, acreditam que Jesus tenha sido derrotado por aqueles que o crucificaram há dois mil anos. Não conseguiram compreender que o grande ensinamento do Mestre é de vencermos a nós mesmos, o nosso egoísmo, o nosso orgulho, a nossa vaidade, todo sentimento de supremacia; porque somente em nos transformando em servidores de todos é que conseguiremos conquistar, dentro de nós mesmos, o reino dos céus: o caminho é o amor incondicional a todos os seres vivos da natureza, inclusive os nossos inimigos, aqueles que nos ofendem, que nos caluniam, que nos perseguem, e que não são capazes de nos compreender; porque é somente dando o nosso testemunho pessoal, amando a essas criaturas verdadeiramente, é que estaremos dando provas irrefutáveis que somos seguidores do Mestre.
Na sua trajetória de luz sobre a Terra o Mestre não apenas ensinou com palavras, que posteriormente foram transcritas nos seus evangelhos, mas, principalmente, ensinou-nos com o seu exemplo: desde a transformação da água em vinho, nas bodas de Caná, passando pelo atendimento fraterno na cura aos sofredores de todos os matizes, pela multiplicação do pão material que saciou a fome de milhares de pessoas, até as diretrizes imorredouras do Sermão da Montanha, e culminando com o grande exemplo de resignação diante da vontade de Deus, entregando-se sem revolta, sem acusações, sem repreensões, sem admoestações, aos verdugos, que, não se contentando em fazê-lo prisioneiro de sua ambição de poder, o pregaram na cruz.
Podemos dizer que Jesus, na sua trajetória terrestre, desde o seu nascimento numa estrebaria de Belém, através de suas pregações e das suas exemplificações, foi escalando uma Montanha de Luz, distanciando-se, portanto, da maioria das criaturas que se mantinham embaixo, dominadas pelos instintos animalescos, pelas disputas vãs, pelo ódio e pela sede de vingança. E todos nós que acreditamos em suas palavras e na sua exemplificação, procuramos aproximarmo-nos dele, libertando-nos dos vícios e sentimentos mesquinhos que nos prendem à retaguarda e escalando essa imensa montanha que ele venceu com suor de sangue e com o testemunho de um verdadeiro e consciente Filho de Deus.
Para seguirmos o Mestre não basta trancarmo-nos em nosso quarto, ajoelharmo-nos sobre grãos de milho e rezar o dia inteiro; é necessário principalmente que perdoemos os nossos inimigos, que ofereçamos a outra face, e que ajudemos a multidão, ainda envolta nas trevas do egoísmo, em suas necessidades espirituais. E quando orarmos, devemos orar também por aqueles que nos perseguem e caluniam, e se alguma coisa pedirmos para nós mesmos, deverá ser muita força moral e espiritual para conseguirmos dar um testemunho, senão semelhante ao que o Mestre deu, pelo menos o testemunho que está ao nosso alcance na medida das nossas forças íntimas.
Ninguém poderá aproximar-se de Jesus farto de todas emoções egoísticas dos instintos físicos, nem mesmo com o estômago estufado de saciedade diante de tantos famintos, e muito menos ainda reconhecido e aplaudido pelo mundo, quando o nosso próprio Mestre foi vaiado, cuspido, açoitado e crucificado.
Quer aproximar-se do Mestre também? Pois suba a Montanha de Luz que Ele subiu e exemplifique a doutrina que Ele pregou.
Bibliografia e leituras complementares
recomendadas:
1 - Evangelho de Mateus, 5:1
Emmanuel, Fonte Viva pág. 241, edição
FEB.