NILZA TERESA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto, SP
Há um provérbio chinês que diz: "Se você está fazendo planos para um ano, plante arroz. Programando para uma década, plante uma árvore. Projetando para uma vida inteira, eduque uma pessoa." Evidencia-se nesta colocação que em uma cultura milenar como a chinesa já havia uma clara e consistente compreensão do significado da educação como um processo de longa duração e igualmente de longo resultado.
A análise da história da humanidade, entretanto nos faz defrontar com processos que foram intitulados de educativos, mas que nada mais eram que legítimos processos de domesticação para que as pessoas fossem adestradas no sentido de se adequarem e se submeterem a uma ideologia dominante.
Isso nada mais é que o fruto de uma visão distorcida que não contempla a pessoa humana como um indivíduo impar e integral, construindo a sua própria história a medida que entesoura as riquezas das experiências individuais a seu acervo eterno de conhecimentos que o ajudaram a plasmar atitudes adequadas para si e para as outras, companheiros de evolução dos quais não prescinde pela sua qualificação de Ser intrinsecamente social.
Viver em sociedade é um viver de mão dupla, ou seja ao mesmo tempo que a influenciamos somos influenciados, assim hoje, em função dos meios de comunicação colocarem dentro de nossas casas, em questão de minutos, ocorrências havidas do outro lado do planeta, torna-se impossível ignorá-las mesmo porque trará, de uma forma ou de outra, alguma repercussão sobre o nosso cotidiano.
Dentro desta ótica nossos jovens têm sido constantemente expostos a chamamentos da busca desenfreada do prazer desvinculando este prazer da responsabilidade que lhe é necessariamente complementar. Abre-se assim um caminho em direção à droga, ao sexo irresponsável com suas conseqüências indesejáveis como a gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis.
Sabe-se, após muitas tentativas frustadas, que o modelo do amedrontamento nenhum resultado trás. Sabe-se também que simplesmente fornecer informações de modo imparcial e científico não tem sido efetivo no sentido de direcionar mudanças de comportamento. Essa abordagem é complementar a outra de maior abrangência.
A educação direciona-se então no sentido trabalhar aspectos individuais que melhorem a auto estima, a ansiedade, a habilidade de decidir e interagir em grupo, a comunicação verbal e a capacidade de resistir às pressões do grupo. Torna-se também relevante o uso de estratégias de promover um estilo de vida saudável, facultando ao jovem atividades de lazer, recreação dentro de grupos que possam ter uma influência positiva sobre eles.
Para que isso se concretize a família torna-se um centro de referência que precisa aprender a filtrar influências do meio, bem como o impacto do efeito oriundo de um corpo social que visa criar necessidades condicionando o homem ao poder de consumo.
Essa maneira de educar é conhecida como "educação preventiva" e no entendimento de ÁVILA & ROSA (1996) 1, busca ações abrangentes com vista a posturas educativas que levem a promoção da espiritualidade, entendida por esse autor, neste trabalho científico, como um atributo fundamental do ser humano que marca de maneira profunda a personalidade, a maneira de sentir, de pensar, agir, ver a si mesmo e aos outros.
Uma dimensão importante do processo educativo é a de ajudar o educando a formar o seu próprio código de ética baseado na tolerância, na generosidade, uma vez que estes valores têm sido negligenciados nesta sociedade competitiva neste final de século. Sem este referencial "o outro" não pode ser visto como igual e igualmente com direito àquilo que desejamos e aspiramos para nós.
Por isso se nossos planos são para a vida inteira (e nós espíritas sabemos que isto vai além de uma única vida) urge nos preocupemos com a educação de pelo menos uma pessoa.
1 - ÁVILA, M. T. P. & ROSA, V. L. M. - Abordagem lúdica como recurso preventivo em drogas e DST\AIDS (mimeografado).