AMILCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos, SP
Uma das maiores dificuldades da vivência espírita são as influências do homem velho, ou seja, o ranço de nossas crenças anteriores, ou mesmo do materialismo.
Uma parcela muito grande dos espíritas vieram de outras crenças e muitos conseguem uma adaptação completa em nosso meio, mas outros tentam adaptar usos e costumes da sua antiga crença ao Espiritismo.
Por exemplo, muitos dos que foram evangélicos, ou crentes, mantém uma postura formal em atitudes corporais, gestuais. Se a pessoa foi ministro do seu culto, essas posturas são mais visíveis. Alguns mantém o rigor das vestimentas como terno e gravata, assim como as mulheres usam vestidos de manga comprida, gola alta e barra bem abaixo dos joelhos. A Bíblia continua sendo o seu livro predileto.
Os que vieram do catolicismo tentam substituir os seus santos protetores por guias espirituais, a água benta pela água magnetizada e a hóstia pelo passe. Enquanto os materialistas tentam se manter eqüidistante de qualquer sentimento de religiosidade encontrado no Espiritismo.
Essas observações não são para criticar, mas para tentar entender como o Espiritismo propõe vivências mais altas. Para o Espiritismo não existe a separação entre o sagrado e o profano. Cada vez que tentamos manter a Doutrina Espírita nos estreitos limites das nossas crenças particulares, acabamos como vestido velho que foi remendado por pano novo. Por mais que nos esforcemos a ruptura vai aumentando.
Para o espírita, sagrado e profano passam a ser apenas rótulos sem maiores significações. Aqueles que vieram de outras crenças precisam revestir-se do homem novo, ou melhor, transformar-se num homem novo. Este homem é que irá construir um mundo novo.
Herculano Pires, num livro intitulado exatamente O Homem Novo, escreveu assim: "O Espiritismo está na Terra, em cumprimento à promessa evangélica de Consolador, para consolar os aflitos, e oferecer a verdade aos que anseiam por ela. Sua missão é transformar o homem para que o mundo se transforme".
Entendamos esta proposta do Herculano e compreenderemos que precisamos mudar o mundo com a nossa ação viril, e ao mesmo tempo amorosa, em favor do bem, infelizmente o homem só se apercebe da necessidade do bem quando o mal o avassala. Vemos o exemplo recente da Espanha repudiando o terrorismo.
Muitos espanhóis são simpáticos aos "bascos", mas milhões de pessoas saíram às ruas para demonstrar que não aceitam o terrorismo como meio de expressão da vontade de um povo.
Assim deveríamos fazer por toda parte. Levantar nossa voz e a nossa ação contra o banditismo e também contra o terror causado pela fome, pela miséria, pela ignorância, pela exploração dos mais fracos.
Isto não é rebeldia, é posicionamento firme em prol da vida. Até hoje temos espantado as moscas da ferida social, mas já é hora de fazermos o curativo, para que esta ferida cicatrize e tenhamos um mundo justo e harmônico, construído por nós, com a ajuda dos espíritos superiores.