ARY DA COSTA NOGUEIRA
de São José dos Campos, SP
Quando Lázaro voltou à vida corporal, atendendo ao chamado de Jesus, e após permanecer por quatro dias encerrado em uma gruta nos arredores de Betânia, considerado morto por suas irmãs Marta e Maria, os parentes e amigos do "morto" se quedaram pasmos, diante de tão inusitado acontecimento. Só conseguiam exclamar: Milagre, ele voltou...
O Evangelista João ao registrar esse acontecimento, nada escreveu sobre o que Lázaro teria dito, principalmente sobre o que, possivelmente, sentiu ou viu, espiritualmente, durante os dias que permaneceu ausente do seu corpo físico.
Foi natural que nada dissesse pois, naquela recuada época, ninguém ainda se interessava por assunto tão transcendental, o que só despertaria a atenção de estudiosos vários séculos mais tarde.
Esse momento teve início com a codificação da Doutrina Espírita por Allan Kardec, a partir de 1857. Logo no primeiro livro O Livro dos Espíritos, Kardec aborda, com clareza e precisão, esse tema, ao qual dedicou todo o Capítulo VIII, intitulado "Emancipação da Alma".
É merecedor de acurada leitura, também, o que ele deixou registrado em o livro A Gênese, Cap. XIV, item 30, o qual, por sua importância, transcrevemos a seguir: "Em certos estados patológicos, quando o Espírito não está mais dentro do corpo e o perispírito a ele adere apenas em alguns pontos, o corpo tem todas as aparências da morte, e tem-se absoluta razão ao dizer que a vida está por um fio. Este estado pode durar mais ou menos tempo (...)" e o espírito, em certas condições "pode ser chamado de volta ao corpo."
Essas ocorrências começaram, desde então, a merecer uma especial atenção por parte dos estudiosos espíritas, os quais passaram a vê-los sob o enfoque de um acontecimento raro, porém, natural, nada tendo de fantástico ou miraculoso.
Nos últimos anos, todavia, esse acontecimento conquistou novos estudiosos, fora dos grupos espíritas. Vários médicos e pesquisadores, principalmente dos Estados Unidos e da Inglaterra, estão analisando criteriosamente essas ocorrências, por eles denominada de EQM (Experiência de Quase Morte), já havendo, em circulação, vários livros sobre tão palpitante tema.
Um dos pioneiros dessas pesquisas é o Dr. Raymond A. Moody Jr., cujo primeiro livro publicado sobre esse fenômeno, intitulado Vida depois da Vida, vem alcançando um grande sucesso de vendagem em vários países.
Após estudar centenas de casos de EQM, Dr. Moody chegou a conclusão de que a morte, como o fim de tudo, não existe. Na capa do seu primeiro livro, logo de início, lemos: "Dramáticas experiências reais de pessoas declaradas clinicamente "mortas"; Relatos tão semelhantes, tão reais, tão esmagadoramente positivos, que poderão mudar a visão da humanidade sobre a vida, a morte e a sobrevivência do espírito."
Pessoas que nunca ouviram falar em Doutrina Espírita e que passaram por essa experiência, dizem, confirmando o que o espírito de André Luiz descreveu no livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier, terem visto amigos e parentes já desencarnados e lugares bonitos e agradáveis, inclusive o que denominaram de "cidade de luz".
Ateus empedernidos que sempre afirmaram: "não acredito em vida após a morte porque ninguém voltou para contar", já não podem mais usar este argumento, pois as provas em contrário do que sustentam aí estão: ELES VOLTARAM...