Dificuldades e caminhos

ORSON PETER CARRARA
De Mineiros do Tietê, SP

Quais são as maiores dificuldades que enfrentam os Centros Espíritas, nos dias atuais? Podemos enumerar algumas, já conhecidas:

1 - Falta de colaboradores

2 - Carência de expositores

3 - Desunião do grupo

4 - Falta de recursos materiais

5 - Comunicação interna ruim

A falta de colaboradores está presente em todas as atividades, desde a Evangelização Infantil até a tarefa assistencial. Na área de exposição doutrinária, a maioria alega timidez, falta de preparo ou tempo. A desunião do grupo surge como verdadeiro monstro devorador das mais promissoras realizações e a falta de recursos materiais tem sido motivo de interrupção de uma série de atividades. Que dizer, então, da comunicação interna. Esta destrói todas as tentativas de superar as demais.

O que fazer? Há um caminho? Podemos melhorar? Claro que sim. A resposta ou caminho está numa só palavra: integração! Integração interna e externa. Interna, do próprio grupo. Externa, com o Movimento Espírita. Como promovê-la?

Internamente, há que se descobrir. Muitos grupos a conseguem desenvolvendo atividades assistenciais em conjunto. Por exemplo, servindo sopa em periferias. Outros, estando juntos em tudo que fazem. Por aqui, conseguimos confeccionando pizzas, cuja renda utilizamos ou cedemos para outras entidades assistenciais. A confecção dessas pizzas, muito mais que o retorno financeiro, uniu a equipe. O fato é que a pessoa se sente valorizada e responsável, tendo uma atividade a desenvolver. Aí se integra, torna-se um colaborador, porque todo mundo tende a valorizar o que ajudou a construir. Outro recurso é a promoção de almoços de confraternização, para que o grupo possa estar junto e conversar sobre seus próprios problemas. O que o espírita mais necessita atualmente é estar próximo um do outro.

A carência de expositores é conseqüência da falta de integração. Estando unido, o grupo se solta mais e os expositores surgem, mesmo que lenta ou gradualmente. Desenvolvida a confiança entre os membros, desaparece a timidez e um ajuda o outro, vencendo a falta de preparo. Sobre a desunião do grupo, será vencida com a integração já citada. Embora sempre surjam os melindres e pequenos desentendimento internos, a força da união se sobrepõe.

Ora, por conseqüência, a falta de recursos materiais também será menos penosa. Já que se tornam uma família, todos buscam recursos para as tarefas desenvolvidas e tais recursos surgem de diversas fontes.

Já a comunicação interna precisa contar com alguém que se interesse em divulgar por todos os meios, tudo o que acontece na instituição, mas procurando atingir todos os grupos e reuniões, para que ninguém fique de fora. Isto também fortalece.

Até aqui falamos internamente. Mas e externamente, no Movimento? Esta talvez seja a face mais importante. Participando externamente, conhecendo outros grupos, indo até eles ou trazendo-os, os grupos se fortalecem ainda mais, pois passam a conviver com outra força, agora externa e também impulsionadora do entusiasmo.

Na integração com o Movimento, há outras vantagens: O grupo pode trazer expositores de outras Casas, consegue colaboradores em diversas áreas, une-se também por outros caminhos, atrai recursos materiais que pode dispor justamente pelo intercâmbio que se estabelece e inclusive pode usar a comunicação externa para comunicar internamente. Em nosso caso, por exemplo, usamos boletim regional para informar eventos nossos e a equipe passa a saber por fonte externa, citando o grupo, o que o valoriza.

Por falar em comunicação interna, ela é fundamental mesmo.

Seria por carta, telefone, mural, comentário em reunião pública, boletim informativo interno, folheto, etc., ela precisa ser feita. Mas, não vale só distribuir o tal folheto. É preciso comentar em toda reunião, envolver as pessoas, sensibilizá-las das realizações. Se não tomarmos tais cuidados, as pessoas ficam condicionadas a irem ao Centro, sentarem, ouvirem, tomarem o passe e continuarem sua rotina, sem qualquer comprometimento com a Causa que nos une. E, naturalmente, continuam os problemas com a falta de colaboradores e de recursos, carência de expositores, o grupo desunido... Tudo por causa de uma comunicação interna ruim, causa sempre freqüente de uma multidão de desencontros. Tais desencontros colocam à mostra a falta de planejamento, que não pode estar ausente de uma atividade tão séria e tão abrangente com a atividade espírita.

Felizmente, tudo isto NÃO É regra geral. Há grupos com excelente nível de integração e realizações magníficas. Dirigimo-nos aos grupos com dificuldades, falando do que temos visto e observado.

Apenas a título de exemplo, para concluir, cito uma Casa que encontrou uma forma muito boa de aproximação de seus membros. Periodicamente, após uma reunião determinada, reúnem-se para um chá fraterno, onde conversam os problemas, discutem as soluções, planejam a programação. Estão juntos. Isto é o que nos interessa...

Notamos que a maior necessidade do espírita da atualidade é aproximar-se do próprio espírita. Estar junto, conversar, trocar idéias, com fraternidade e respeito.