JESUS E A SAMARITANA
J. MARTINS PERALVA
de Belo Horizonte, MG
O Novo Testamento é rico em lições para todos nós.
Em cada episódio, em cada parábola, em cada alegoria criada pelo Sublime Educador, há um mundo de ensinamentos, um oceano de lições, visando ao bem e ao progresso das criaturas humanas.
A preocupação maior do Mestre Galileu foi sempre a de fixar, nas redentoras letras do Evangelho, no dia-a-dia de sua gloriosa caminhada, ocorrências e apontamentos, singelos e persuasivos, que nos despertassem de milenar apatia emocional, concitando-nos, em perene e paciente surge et ambula, ao progresso espiritual.
O encontro do Senhor com a mulher de Samaria, na Fonte de Jacó, oportunizaria a lição da adoração em espírito e verdade (Jo. 4:1 a 30).
Realmente, grandes momentos da Boa Nova tiveram início através de encantadores diálogos, que o Mestre convertia, sabiamente, em preciosas lições.
Vejamos alguns exemplos: na conversa com Saulo de Tarso, o futuro grande apostolizador dos gentios, às portas de Damasco (Atos, 9:1, 10); no pedido da mulher samaritana: "Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sêde, nem precise vir aqui buscá-la" (Jo. 4:15); e, ainda, a luminosa observação de Jesus: "Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e verdade" (Jo. 4:24): na exclamação elogiosa de uma mulher, que se destaca da multidão, faminta de luz: "Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram", ao que retruca o Senhor: "Antes, bem aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam" (Lc. 11:27 e 28).
Em todos os lances do Cristianismo, o incomparável Educador, de todos os milênios, encontrou sempre oportunidade para concitar-nos ao despertamento. A Fonte de Jacó e todas as fontes criadas pela Natureza, mãe pródiga, generosa, e pelo homem, todas elas secarão um dia, mas a palavra divina, inesgotável fonte de amor e sabedoria, permanecerá saciando todos os sedentos.
Surpreendendo a samaritana, Jesus fala das coisas eternas, revela-lhe fatos de sua vida particular; lembra a adoração em espírito e verdade, evidenciando a importância da Revelação no despertamento da alma para a Espiritualidade. Jesus atendeu, com singular paciência e mestria, à curiosidade da mulher da Samaria, revelando-se o Sublime Pastor de nossas almas, empenhado em reunir, em seu imenso aprisco, as ovelhas que Deus lh'o confiara. O diálogo "Jesus-Samaritana" induz-nos a pensar, refletir no imperativo de fazer-Lhe a Vontade, Augusta e Soberana; de dedicar-lhe os melhores ideais na adoração pelo espírito e pela verdade, pelo trabalho, pela auto-renovação.
Cada um de nós, seja qual seja o nosso estágio evolutivo, tem em si mesmo, no mundo íntimo, um santuário de amor e sabedoria, em cujo altar oferecemos a Deus, mais tarde, o culto da fé e do trabalho.
Quando Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos (questão 654), indagou: "Deus tem preferência pelos que o adoram desta ou daquela maneira? ", obteve o seguinte esclarecimento: "Deus tem preferência pelos que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal".
O diálogo "Jesus-Samaritana", de sublime conteúdo e rara beleza, aparentemente acidental, deixaria para o porvir da humanidade maravilhosa lição, convidativa para o renascimento espiritual.
Nosso coração agradece ao Senhor, mas não esquece o contributo da mulher samaritana, na Fonte de Jacó, do qual se utilizaria o Divino Mestre para nos despertar para uma compreensão maior.
"...O diálogo "Jesus-Samaritana" induz-nos a pensar, a refletir no imperativo de fazer-Lhe a vontade..."