As quatro estações da vida

AMILCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos, SP

O final do ano é uma convenção humana que coincide com o movimento de translação do planeta Terra em volta do Sol, astro maior que faz a ancoragem do planeta mantendo-o em sua órbita. Desta imensa viagem feita numa velocidade impressionante, originam-se as quatro estações, que podem simbolizar nossas vidas.

A primavera louçã representa a fase infantil, enquanto o verão que representa força da juventude, e o outono a reflexão da maturidade. Depois vem o inverno da velhice com a aproximação da morte, a consumação da vida, para reiniciar-se numa nova primavera.

Nós também temos a nossa órbita em torno de Deus, mas, por termos o livre-arbítrio podemos afastar-nos e ancorar em outros objetivos. Alguns elegem como o seu objeto de interesse os gozos sensuais, outros o dinheiro, outros o poder, ainda há os que orbitam em torno da fama, da glória, e há os que elegem a violência, a corrupção, a mentira... No entanto os que ancoram em Deus privilegiam o amor e mudam o mundo, não raro, mudando os que visam outros interesses.

Ao completar mais um ano é tempo de examinar nossas ações e interesses e ver o quanto fizemos ou deixamos de fazer. Iniciamos a jornada cheios de idealismos. Em dado momento pensamos que poderíamos vencer sozinhos, mas não tardaram as amarguras que nos fizeram buscar refúgio em braços amigos, que nos consolaram e fortaleceram.

Examinamos nossa vida profissional e familiar para fazer um balanço da nossa atuação no mundo. Certamente faltaram realizações e sobrou inércia. Quase sempre deixamo-nos envolver pela rotina e quase fomos esmagados. Mas valeram os momentos de reação, de coragem, a tomada de consciência das nossas limitações, mas com algo importante; nós é que impomos os nossos limites.

Foi esse um ano bom para o Espiritismo? Sim, considerando a sua divulgação a sua penetração, a sua capacidade de aglutinar, o respeito que a sociedade de uma forma ampla lhe tributa. Logicamente ainda existem adversários mais ou menos poderosos. Aqui e ali encontramos o ranço do dogmatismo humano fazendo guerra ao Espiritismo. Há momentos em que o fanatismo fala alto. Não raro, adeptos se constituem em adversários, quer por ignorância, quer por interesses infelizes.

De certa forma ainda prevalece o interesse imediatista dos homens, a pedir, pedir e pedir. Alguns pedem curas de doenças obscuras, inabordáveis pela medicina humana. Outros pedem curas de enfermidades provocadas pelas suas atitudes, seus comportamentos. Outros pedem soluções de vivências infelizes, sorte no amor, o dinheiro que lhes falta, as propriedades que não possuem, o homem ou a mulher cujo amor os fariam felizes. Há os que querem modificar o comportamento dos filhos, cônjuges e até de amigos. Coisas humanas mais ou menos justas, mais ou menos necessárias, e o Espiritismo vai distribuindo benesses aos pedintes. Por que? Perguntamos algumas vezes: Porque um dia a humanidade compreenderá a imensa dádiva que o Espiritismo tem a dar e todas as pequenas dádivas se tornarão secundárias.