A vida começa na morte

CARLOS BERNARDO LOUREIRO
de Salvador, BA

Aparentemente, a morte parece ser o fim de tudo. Soada a hora extrema, trava-se, em princípio, uma luta entre a alma que se vai libertar e o corpo que procura retê-la a todo custo.

A intensidade desse conflito depende de vários fatores, podendo passar despercebida ou assumir aspectos espetaculosos, assim como durar breves instantes ou prolongar-se por dias seguidos, Nessa contenda, cada parte do organismo procura reter aquilo que até então lhe pertencia.

O sistema muscular tenta suster as forças matrizes; o nervoso luta pela manutenção dos sentidos físicos; o cerebral pela retenção do princípio intelectual etc..

Após algum tempo de luta, em que o organismo não levou a melhor, a alma dá início a sua libertação, a qual começa por uma luminosidade em volta da cabeça (luminosidade fotografada pelo metapsiquista Dr. Hyppolytte Baraduc), cuja intensidade vai aumentar com o enfraquecimento das forças físicas, ao mesmo tempo em que o cérebro vai atraindo a si todos os elementos de vida e sensibilidade disseminados pelo aglomerado fisiológico.

As extremidades tornam-se frias e obscuras, enquanto o cérebro brilha intensamente, até que, em dada altura, do organismo combalido gradualmente se destaca um outro, em tudo semelhante àquele, porém de natureza sutil - é o perispírito (denominação kardequiana) ou o invólucro fluídico da alma, com flexibilidade e expansibilidade. Este corpo fluídico era conhecido das mais remotas civilizações, desde os hebreus, os egípcios, os gregos e os primeiros cristãos. Com este corpo, Jesus apresentou-se aos seus discípulos, nele evidenciando-se os estigmas da crucificação, fato demonstrado por Tomé, que, com seu gesto racional, inaugurou, naquele tempo ido, a ciência experimental espírita, isto é, a fé baseada na irrefutabilidade do fato.

Mas, a morte corresponde a um nascimento para a vida espiritual, onde o ser conserva todos os seus atributos essenciais e, assim, a sua individualidade. Psicólogos americanos, ingleses, franceses e alemães, particularmente, vêm analisando o complexo fenômeno da morte. Chegaram à conclusão que, realmente, o indivíduo continua existindo após o decesso e pode, como a história da Humanidade registra, reaparecer a parentes e amigos. A psicóloga Elizabete Rosas, uma das mais notáveis pesquisadoras do fenômeno da morte, vivenciou essa experiência, aparecendo-lhe, depois da morte, uma de suas clientes, testemunhando, desse modo, a sobrevivência do ser.