JOSÉ JORGE
do Rio de Janeiro, RJ
O Amor, para os judeus, tinha uma conotação bem diferente da que Jesus apresentava e exemplificava. Para o povo hebreu, o Amor era:
a) - IMPOSITIVO - "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão em teu coração." (Deuteronômio, 6:4)
b) - DISCRIMINATIVO - "Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos de teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo." Levítico, 18:18)
Entretanto, o próximo do judeu era só o outro judeu...
c) - INTERESSEIRO - Jeová oferecia mil e uma vantagens aos judeus se o seguissem. É só consultar o Levítico, cap. 26.
d) - VINGATIVO - "Serei inimigo de teus inimigos" (Êxodo, 23:22)
e) - INCOERENTE - "Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo" Mateus, 5:43. Da mesma fonte não podem promanar duas espécies de água...
Quando Jesus fala de um novo Mandamento, é porque, realmente, ele o é.
Há críticos superficiais que discriminam Jesus, pretendendo que ele teria sido contraditório na maneira de orar, de aliviar e de poder:
l Na maneira de orar, porque aconselhava orar discretamente e com poucas palavras (Mateus, 6:5 a 7), mas orou, publicamente e numa longa oração - a Oração Sacerdotal - com 26 versículos, em João, capítulo 17.
Não entenderam os críticos apressados que as situações eram bem diferentes: nossa oração é mais uma seqüência de inúmeros pedidos, nem sempre justos e necessários, enquanto a de Jesus - na Oração Sacerdotal -, era necessária para confortar e encorajar seus queridos discípulos, que se sentiam desamparados com a notícia da partida de seu amado Mestre.
A Oração Sacerdotal foi uma despedida apoteótica e encorajadora.
l Na maneira de aliviar, pois, conforme Mateus, 11:28, Jesus promete: - "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo... Porque meu jugo é suave e meu fardo, leve."
Como Jesus vai aliviar alguém, se o sofredor ainda precisa aceitar seu fardo? E haverá fardo realmente leve?
Narremos um pequeno fato, ocorrido em Xangai:
Uma menina carregava seu irmãozinho às costas, à moda da região. Um turista, penalizado por vê-la portando aquele peso, lhe perguntou: - Minha filha, isto não está pesado para você? - É meu irmão! respondeu-lhe, aborrecida, a menina, que logo se retirou... Assim, o irmãozinho que ela levava não lhe era um peso.
É que o peso do fardo dos nossos sofrimentos se alivia com a compreensão e a fragrância do Amor... Há, pois, fardos leves, na vida e Jesus não foi, portanto, contraditório.
l Na maneira de poder. Segundo se lê em João, 11:39, na ressurreição de Lázaro, Jesus pediu aos circunstantes:
"Tirai a pedra!"
Ora, como se explicar - indaga o apressado comentarista - esta fraqueza de Jesus que, tendo realizado tantas curas maravilhosas, não encontrou forças para fazer saltar a pedra do sepulcro de Lázaro? Jesus, pôde o mais, em tantos prodígios que efetuou, e não teve condições para o menos?
Não há, em verdade, contradição alguma, na atitude de Jesus. Apenas, ele quis valorizar a necessidade e a importância da cooperação do homem, na conquista da sua evolução: - "Ajuda-te e o Céu te ajudará."