Uma ponte entre dois mundos

AMILCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos, SP

Todo ser humano é médium. Este é um consenso integralmente aceito pelo movimento espírita, embora tenhamos que convir que existem graus diferentes de mediunidade, mas nenhuma pessoa está destituída de rudimentos das faculdades mediúnicas.

Allan Kardec ao escrever sobre este assunto afirmou que usualmente essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade.

Numa linguagem mais simples e direta isto quer dizer que embora todas as pessoas possuam mediunidade, não são todas que irão ver, ouvir ou sentir a presença de espíritos, muito menos escrever ou falar por impulsão dos desencarnados.

A mediunidade é uma ponte que liga o mundo material ao mundo espiritual. Conan Doyle, ao escrever a História do Espiritismo, no capítulo referente às manifestações de Hydesville, afirmou que o espírito Charles B. Rosma abriu uma passagem entre os dois mundos e os anjos se precipitaram por ela.

Entre muitas das suas utilidades e aplicações, a mediunidade consola, esclarece, cura, reequilibra. Por essa ponte os espíritos transitam de lá para cá, em busca dos seus amores, das suas esperanças, ou como agentes curadores onde a misericórdia divina se manifesta.

Pode ocorrer, também, que espíritos vingativos, maldosos, ruins utilizem essa ponte para perseguir seus desafetos, mas compete ao homem, nesta extremidade, ampará-los, esclarecê-los, evangelizá-los.

Somos médiuns e de repente ficamos a pensar: Quem sou eu para ser médium? Quem sou eu para realizar tal ou tal tarefa? E o necessitado, angustiado, triste, desequilibrado fica a esperar a nossa boa vontade, e nos ausentamos da tarefa.

Se olharmos a fisionomia angustiada do obsedado, ou o rosto macerado de um pai ou mãe que vê o filho debater-se nas malhas da obsessão, certamente abençoaríamos a assistência mediúnica que alguém nos oferecesse. Como abençoaríamos as mãos que se estendessem num passe reconfortador em nosso benefício, em socorro às nossas enfermidades, e certamente abençoaríamos os lábios que erguessem uma prece em nosso favor.

Não deixe que escrúpulos exagerados estiolem sua capacidade de servir. Exerça as suas faculdades mediúnicas com muito amor. Porém, por mais bela que seja a sua mediunidade, não dispense nunca o estudo que esclarece e equilibra. O melhor médium é aquele que mais se aplica ao estudo e vivencia aquilo que aprende.