Editorial

A DESENCARNAÇÃO DE KARDEC: 129 ANOS

No dia 31 de março, registra-se mais um aniversário da desencarnação de Allan Kardec.

Já é tradicional no meio espírita prestar homenagens a Allan Kardec, tanto na data de nascimento, como na de sua desencarnação. É uma forma de se expressar a gratidão àquele que nos legou uma herança valiosa, condensada nas obras básicas da Codificação Espírita e, por outro lado, um exemplo de dedicação e amor plenos à Causa Espírita.

Como Codificador, organizou o corpo da doutrina, apresentando-o sob o tríplice aspecto: filosófico, científico e religioso, registrando esses conceitos nas cinco obras fundamentais: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).

Todavia, uma preocupação pairou na mente dos adeptos da época, ante a volta de Kardec ao Plano Espiritual em março de 1869: quem seria o sucessor, o novo chefe do Espiritismo?

Kardec, orientado pelos Espíritos Superiores já previa tal situação e respondem claramente a essa questão no livro "Obras Póstumas" - cap. "Comissão Central": "Em lugar de um chefe único, a direção será cometida a uma comissão central permanente, cuja organização e atribuições serão determinadas, para nada haver de arbitrário." E prossegue Kardec: "A Comissão Central será portanto, o verdadeiro chefe do Espiritismo, chefe coletivo, que nada poderá, sem aquiescência da maioria."

Assim, a desencarnação de Allan Kardec, a 31 de março de 1869 não causou qualquer impacto extraordinário no tocante à continuidade do movimento espírita, mesmo porque, de imediato, Madame Allan Kardec, assumia a direção dos programas de atividades - "foi a companheira amante e fiel do seu marido, e com seus atos e suas palavras sempre o ajudou em tudo quanto ele empreendeu de digno e de bom. (vide "Grandes Espíritas do Brasil" - Z. Wantuil)

Atualmente, o movimento espírita presta a sua mais autêntica homenagem à Allan Kardec, através da Tarefa de Unificação das sociedades espíritas, cuja essência é reunir os espíritas sob a mesma bandeira desfraldada pelo Codificador e unir os corações entre si pelo lema do Espírito da Verdade, "Espíritas, amai-vos e instrui-vos".

Atualmente, o movimento espírita já dispõe das obras da Codificação Espírita e de obras subsidiárias para se conduzir, por isso rejeita a idéia de um chefe único, centrado em uma só pessoa.

Como destaca Kardec, ainda em "Obras Póstumas": "Está subtendido - referindo-se à comissão central - que se trate de uma autoridade moral no que concerne à aplicação dos princípios da Doutrina e não de um poder disciplinar qualquer".

Assim, foi Kardec o primeiro e o último chefe do Espiritismo; as obras que deixou constituem o roteiro seguro para o entendimento da causa cristã, sob a liderança espiritual de Jesus.

Pense Nisso. Pense Agora.