ELIAS B. IBRAHIM
de Itapetininga, SP
Por ocasião das épocas de passagens de ano, tomamos conhecimento, não raramente, do fechamento temporário de alguns Centros Espíritas, sob o 'argumento' de férias.
Neste último Natal e Ano Novo de 1998, não foi diferente.
Soubemos, através de pessoas conceituadas desta cidade, que viajaram, inclusive para estados outros, da suspensão de atividades nas regiões visitadas. Em São Paulo, também há cidades que adotam essa prática.
Uma confreira de Itapetininga (SP), repórter, ativa na Rádio e Jornais locais, em passeio, desejou conhecer entidades espíritas, mas não pode, porque estavam inativas. Estranhou muito o fato.
Tal interrupção de atividades dura, em média, um mês, ou com o exagero, em certos casos, dois meses, dezembro e janeiro.
Os argumentos de que temos conhecimento, não convencem: 'o movimento cai nessa época do ano' , 'precisamos descansar', 'o ano foi difícil', 'outras localidades também fecham', 'os dirigentes e médiuns viajam, não compensa abrir', 'cai a vibração da casa, não há substitutos à altura', etc..
Todos temos consciência de que dirigentes e médiuns podem viajar, evidentemente. Eles fazem jus ao direito de visitar parente, amigos, confraternizar. O que eles não tem direito é de fechar o Centro Espírita. Nas suas ausências, companheiros e companheiras, preparados adredemente, devem substitui-los. Pode, inclusive, ser adotado o sistema de rodízio para efeito de faltas, desde que não sejam prejudicadas as atividades do Centro.
Precisamos entender que o Centro Espírita é da comunidade e deve servi-la ininterruptamente. Trabalha com apoio da espiritualidade, que jamais entra em férias.
O Centro Espírita, com as portas trancadas, causa uma péssima impressão, um efeito negativo, e enormes prejuízos à divulgação da Causa Espírita, de que alguns, infelizmente, ainda não se aperceberam ou então não se incomodam, o que custamos a acreditar.
Gostaríamos sinceramente de saber, onde e de quem essa praxe nefanda foi copiada. Senão vejamos: Chico e Divaldo não param de trabalhar. Allan Kardec desencarnou em serviço. Cristo até na cruz amparou irmãos em desalinho. Deus não descansa.
Enquanto que o Centro Espírita 'dorme', ainda bem que apenas alguns, as Igrejas, os Templos, estão a todo vapor, lotados, com maior freqüência do que em outras épocas do ano, mediante a realização de Missas do Galo, Celebrações para Jesus.
De que forma o Espiritismo pretende se firmar como o Cristianismo redivivo que é, a Terceira Revelação, o Consolador Prometido por Jesus, com Centros Espíritas procedendo de maneira oposta ao sacrifício e dedicação dos Apóstolos?
Natal e Ano Novo representam excelentes oportunidades para se falar do Cristo, da Sua missão, da renovação de atitudes para melhor.
Pensemos nisso, seriamente.
Felizmente, em Itapetininga, a prática em questão não vinga. Aqui, todas as atividades espíritas têm andamento normal, seja Natal, Ano Novo, Feriado Nacional, ou outras datas comemorativas.
A livraria Espírita e a Banca do Livro, estas sim, por representarem negócios comerciais, fecham nos dias não úteis, em obediência à Alvará Municipal.
Porém, o Centro Espírita, cujas tarefas são de caráter religioso, jamais deve cerrar as suas portas, em consonância com os bons exemplos que temos dentro da própria Doutrina.
Destarte, convidamos os irmãos que inadvertidamente adotam a sistemática de férias no Centro a repensarem suas atitudes, retificando o comportamento para as próximas oportunidades.
Confiamos no bom senso dos grupos espíritas em particular daqueles que vem procedendo equivocadamente.
Por último, lembramos a informação do Mentor Espiritual Emmanuel, de que "a maior caridade que se pode fazer ao Espiritismo é divulgá-lo!" Reflitamos: poderá o movimento espírita cumprir esse dever, estando O CENTRO ESPÍRITA EM FÉRIAS?
Que Deus e Jesus iluminem os nossos caminhos!