Oração e trabalho

SEBASTIÃO ANSELMO
de Santa Rosa de Viterbo, SP

Jesus, o Mestre por excelência, legou-nos exemplos maravilhosos que deveremos nos esforçar para seguir nas experiências da nossa vida. Embora tivesse sido enviado pelo Alto para auxiliar a Humanidade sofredora, que se desviava pelos caminhos da sombra, jamais se colocou num patamar inacessível aos seus discípulos e seguidores: pelo contrário, afirmou que os discípulos que se esforçassem poderiam fazer tanto quanto Ele e ainda mais...

O trabalho e a oração, a oração e o trabalho, foram uma constante na vida do Mestre. Na leitura dos Evangelhos que narram Seus feitos é comum nos deparamos com passagens onde, com freqüência, Ele se retira para orar. Sua comunhão com o Alto, nos momentos de oração, era tão completa que, à certa altura de sua vida, Ele chegou a afirmar: "Eu e o Pai somos um".

Durante suas andanças pelas cidades da Galiléia, da Judéia e da Samaria, quando curava leprosos, cegos, coxos, mudos e surdos, e restabelecia o equilíbrio orgânico aos aleijados, jamais se esquecia de dizer: "Tua fé te curou", como a deixar gravado na memória daqueles que levariam o Seu nome e os Seus feitos para a posteridade, a importância e a necessidade da fé. A fé, naturalmente, nos leva à oração; e o Cristo, naqueles momentos angustiantes que antecederam à Sua prisão e julgamento, recolheu-se para o horto, onde, em oração, suou suor de sangue.

Portanto, se Jesus, o Cristo Realizado, o Uno com Deus, o Mestre do Amor Imanente e Transcendente, não dispensava a oração nos momentos cruciais da Sua vida, e a equilibrava numa mistura exata com o trabalho diário, por que nós, que nos dizemos Seus seguidores, não fazemos o mesmo? A oração é como vigoroso farol a iluminar as trevas densas dos caminhos perigosos que trilhamos na Terra: talvez ela não remova os calhaus, as pedras de tropeço e os abismos da queda e da dor que se apresentam diante dos nossos passos ainda vacilantes, porém, oferece-nos a Luz necessária para que os identifiquemos e evitemos, preservando o equilíbrio indispensável ao caminhar seguro dos verdadeiros discípulos do Cristo que trilham a senda do reajuste e aprimoramento na escola redentora da Terra.

A oração é bálsamo divino que desintoxica os corações envenenados, acalma os sentimentos desequilibrados, regenera os ânimos abatidos e restaura o equilíbrio das emoções inclinadas para a queda; é a antena que se eleva ao Alto à procura dos "sinais" do Criador, é a tentativa de sintonia com o Amor Universal que pulsa em todos os recantos do Universo, é a Paz que se estabelece e comemora a vitória contra as ameaças visíveis e invisíveis do caminho.

O Cristo, o Médico do Corpo e da Alma, a receitou em todos os momentos da caminhada evolutiva, quando disse: "Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto, e, cerrada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos recompensará".

Bibliografia e leituras complementares recomendadas:
1 - Mt. 6:6
2 - E.S.E., capítulo 27, item 4
3 - Emmanuel, Livro da Esperança, pág. 230
4 - Emmanuel, Palavras de Vida Eterna, pág. 359