AMILCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos, SP
Assistimos perplexos, há algum tempo, num canal de televisão, pessoas que se dizem civilizadas, e com muito dinheiro, pagando para caçar animais selvagens numa fazenda da Argentina. Milhares de dólares são pagos por cada animal abatido. E o preço é arbitrado de acordo com o porte do animal e a sua maior ou menor raridade.
Pessoas com toda aparência humana e civilizada, portando armas sofisticadas com miras telescópicas, que lhes permitem ficar a uma distância mais do que prudente da vítima, que se torna indefesa, atiram com impiedade. Dizem que são pessoas que amam emoções da caça. Ora, se amam as emoções da caça porque não permitem a mesma emoção aos animais, atacando-as com armas que lhes permitam alguma igualdade, um tacape, por exemplo?
Lamentamos muito, mas a nossa perplexidade leva-nos à revolta, e levou-nos a um pronunciamento através do programa Atualidades Espíritas, da Rádio Boa Nova. Para nós é um ato covarde, pois não matam para comer, e sim para sentir emoções e guardar troféus. São homens milionários e egoístas, sobretudo bárbaros. Qual é o direito desses homens se queixarem do banditismo que grassa na sociedade em que vivemos.
É lamentável sobre todos os pontos de vista, inclusive sobre a solidariedade que essas pessoas poderiam ter, minorando o sofrimento de muitas pessoas com o dinheiro que gastam nesta atividade covarde. Hoje ninguém precisa caçar para viver, portanto não há desculpas aceitáveis.
Enfim, isto é próprio de um mundo de expiações e provas, mas se todos se calarem, brevemente teremos essas fazendas para caça no Brasil. Aliás, um entrevistado já tocou neste assunto.
Nós da Rádio Boa Nova e especialmente da programação espírita, temos uma tradição de lutar pela paz e por um mundo melhor, por isso, não podemos nos calar. Se taparem a nossa boca, todas as células do nosso corpo gritarão.
Adiantará alguma coisa nosso grito? Possivelmente não. Mas se o nosso pronunciamento despertar reflexões mais profundas em nossos ouvintes, ficaremos felizes, porque, com certeza, alguns manifestarão a sua inconformação.
Logicamente existem muitas outras injustiças, muitas outras crueldades a serem combatidas. Há alimentação carnívora, há a matança de animais por causa da sua pele. Há as queimadas que destroem as nossas florestas, a poluição de nascentes e rios. Existem as minas terrestres que decepam pernas e vidas de pessoas e animais. Há as guerras e guerrilhas, revoluções e o terrorismo que causam tantas vítimas humanas e destroem patrimônios, mas combatemos também tudo isto, assim como a violência da fome, da pobreza, da miséria, da ignorância. Negar a instrução escolar a alguém eqüivale a matá-la de fome.
Construir um mundo melhor é o grande desafio para a humanidade, e nós, os espíritas, já sabemos que para mudar o mundo precisamos mudar o homem. Daí a importância da mensagem espírita, da sua filosofia, e não somente dos fenômenos, das curas, dos passes. Precisamos colocar-nos a serviço de Deus, o que eqüivale a dizer que precisamos estar permanentemente a serviço da humanidade.