JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
de Ribeirão Preto, SP
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós" (Mateus, 7: 1-2)
A lei de ação e reação, ou lei do retorno, é bem conhecida e estudada entre nós, espíritas. Mas acreditamos que ainda não estamos, de um modo geral, bem conscientizados, atentos, para o funcionamento dessa lei. Jesus a enunciou claramente, como está nas anotações de Mateus. Nossos pensamentos, palavras e atos produzem sempre resultados correspondentes. O que pensamos, falamos, ou fazemos para os outros, os outros farão para nós. Qualquer que seja nossa conduta, receberemos o resultado equivalente, bom ou ruim. Cada palavra pouco caridosa, cada suspeita, ou cada vez que mentirmos, fraudarmos, ludibriarmos alguém, isto mesmo receberemos, mais cedo ou mais tarde, de outras pessoas. Se negligenciarmos um dever, se abusarmos da autoridade, enfim todas as nossas falhas produzirão resultados que recairão sobre nós. "Com a medida que tivermos medido, nos medirão oportunamente".
Se todos os que se consideram cristãos refletirem sobre essa lei, se a compreenderem com clareza e procurarem respeitá-la, agir de acordo com ela, por certo a conduta da grande maioria seria sensivelmente modificada. O trabalho dos cartórios, dos juizes, enfim os profissionais da justiça humana teriam seu trabalho consideravelmente reduzido. Não haveria necessidade de tantas leis, tentando disciplinar e regular a conduta dos homens em sociedade. Entretanto, embora tenhamos conhecimento desses ensinamentos, geralmente pensamos que podemos escapar dos efeitos da lei; esperamos que os outros nos perdoem, ou não tenham poder de se defender, ou ainda pensamos que nossas ações contrárias à lei poderão ser esquecidas, ou não ser descobertas. Porém, a lei de ação e reação pode ser comparada à lei de gravidade. Nunca dorme, nunca está inativa, dela nada escapa. A água corre sempre para baixo, e, independente de qualquer intenção, boa ou má, encontrará seu nível. Assim também a lei de retorno, ou ação e reação.
Mas não devemos ser pessimistas, refletindo nos resultados negativos do mal que tenhamos feito. A lei funciona nos dois sentidos. Assim, todo pensamento bom, toda vontade de fazer o bem, toda boa ação, por menor que seja, partida de nós também produzirá o resultado equivalente. Para cada boa ação que a pessoa fizer, para cada boa palavra que disser, será recompensada, mais cedo ou mais tarde, de maneira equivalente.
Os efeitos da lei nem sempre ocorrem a curto prazo. Isso leva ao engano de se pensar que, às vezes, os bons não recebem da vida aquilo a que fazem jus, pelas suas boas ações; e que, nem sempre, também, os maus indivíduos são punidos pelos males praticados. "O retorno de uma ação, o aparecimento dos seus efeitos pode se dar: a) a curto prazo: pratica-se um ato e, logo, ou um pouco mais tarde se recebe a conseqüência, a reação, mas ainda dentro desta existência; b) após a morte: às vezes, o efeito do que fizemos somente aparece na vida espiritual (após a morte do corpo): c) na encarnação seguinte: o que fizemos numa existência pode vir a se refletir em outra de nossas vidas, em outra encarnação. Assim, certas falhas (que não parecem punidas nesta vida) e certas virtudes (que não parecem recompensadas) terão certamente os seus efeitos; se não for nesta vida, o será na vida espiritual ou em outra existência corpórea" 1
Ao tomarmos conhecimento da lei de ação e reação, e refletindo sobre nossos atos, no passado, podemos nos preocupar com os erros praticados, antes de conhecermos o que hoje sabemos. E podemos sofrer com o sentimento de culpa. Entretanto, é bom lembrar, que a culpa é proporcional ao grau de informação, ao conhecimento que possuímos. Quando fazemos algo inconscientemente, ignorando o erro que praticamos, embora a lei funcione sempre, a responsabilidade pela falha é atenuada face ao desconhecimento, ou pouco conhecimento, que seu autor possui sobre a questão. É como alguém que está aprendendo um serviço. Nessa fase, o erro é desculpável; mas depois que a pessoa já conhece o trabalho, se cometer o erro não terá a mesma atenuante.
Hoje estamos vivendo o resultado do que realizamos no passado, e, no presente, estamos plantando para o futuro. Ao mesmo tempo em que colhemos os frutos plantados e cultivados antes, vamos realizando novas semeaduras que, a seu turno, produzirão os frutos correspondentes. "O simples arrependimento, ainda que sincero e profundo, não é suficiente para livrar alguém da repercussão de seus maus atos; é fator importante na reforma do caráter pessoal, mas a isso deve seguir-se a reparação, ou seja, o devotamento e bem-fazer em favor daqueles a quem se haja prejudicado". 1
1 - Curso de Iniciação ao Espiritismo - Lei de Causa e Efeito, de Terezinha de Oliveira.