O autodescobrimento integral
GUSTAVO MARCELO RODRIGUES
DARÉ
de Ribeirão Preto, SP
PERISPÍRITO
(Observação: Discorreremos apenas sobre o perispírito de espíritos de nível evolutivo mediano na Terra, sem abordar o corpo espiritual do princípio inteligente que anima os animais e seres inferiores ou o de espíritos superiores ou puros.)
Kardec definiu perispírito como "envoltório semimaterial do Espírito que, nos encarnados, serve de intermediário entre o Espírito e a matéria e, nos Espíritos errantes, constitui o corpo fluídico do Espírito". Considera-o constituído de "eletricidade, fluido magnético e matéria inerte", assim como Gabriel Delanne lembra a íntima analogia de sua constituição com a matéria ultra-radiante e André Luiz diz ser a "matéria mental" formada de partículas carregadas positiva e negativamente.
Sabendo ser o corpo carnal nada mais do que matéria densa organizada e especializada formada por múltiplos campos eletromagnéticos, fica fácil entender a afinidade entre este e o perispírito e a função do segundo como modulador do primeiro , presidindo à sua formação e fisiologia. O perispírito é o campo eletromagnético diretor, com linhas de força internas no qual o pensamento do Espírito vibra em circuito fechado e do qual o corpo denso é mero espectro magnético.
A união entre estes dois campos eletromagnéticos de planos distintos da existência, mas que se acoplam perfeitamente durante a reencarnação, gera uma ligação tenaz que se traduz por interações "molécula a molécula" e, devido à sua elevada complexidade, por "laços" nos pontos de provável convergência de suas linhas de força laços estes que a alma tem que desfazer durante o processo de desencarne, com grau de dificuldade progressiva no sentido caudal-cranial.
Assim como, no plano carnal, o perispírito é o intermediário que permite a formação do corpo carnal, para que o Espírito possa se interagir com o ambiente reencarnatório; no Mundo Espiritual, o perispírito é, ele mesmo, o meio de relação e expressão do Espírito, é o agente das sensações externas e, por conseguinte, quanto mais desmaterializado for, menos sensações penosas sofrerá o Espírito errante.
Gabriel Delanne já imaginava o perispírito formado por diversas camadas de matéria heterogênea que vão se tornando mais quintessenciadas quanto mais se aproxima do Espírito; o que seria evidenciado através dos níveis de consciência cada vez mais profundos do sonambúlico conforme se intensifica a hipnose. Para mim, são como campos eletromagnéticos sobrepostos do perispírito. André Luiz dá nome a estas camada:
1 - Duplo Etérico: nada mais é do que o espectro vital do perispírito. Formado de fluido vital, ou eletromagnético ou elétrico animalizado ( na terminologia Kardequiana), ou emanações neuropsíquicas (na terminologia de André Luiz), pertence, pela sua própria natureza, ao campo fisiológico carnal, não conseguindo maior afastamento do corpo denso e destinando-se, tanto quanto este, à desintegração por ocasião do desencarne. Sendo, ao mesmo tempo, efeito e causa da matéria densa organizada, é alimentado pela alma, que retira o princípio vital do meio ambiente. Em íntima relação com o sistema nervoso carnal, torna-se a sede das percepções sensitivas do encarnado e funciona como propiciador da ação do Espírito sobre a matéria densa ao produzir a animalização da mesma.
2 - Psicossoma é o verdadeiro molde do corpo carnal; formado por "células elétricas" especializadas e órgãos como o corpo carnal, que é sua imagem, possui ainda fulcros energéticos que, sob a direção do Espírito, imprimem a especialização extrema às células perispirituais, assim como às células carnais, quando encarnado, originando os hepatócitos, os neurônios, os leucócitos, etc. Estes centro perispirituais de energia, denominados centros de força por André Luiz, se comunicam entre si através de plexos que funcionam como sutilíssimas ramificações nervosas, originando um todo harmônico e integrativo. Cada centro emite radiações e cores próprias e específicas conforme o nível de funcionamento. André Luiz os descreve em número de sete: Centro Coronário (relacionado com o diencéfalo e a epífise, localizado no centro do crânio e funcionando como assimilador dos raios solares, dos raios da Espiritualidade Superior e dos estímulos diretos do Espírito, comandando os demais centros), Centro Cerebral (em relação topográfica e funcional com o cérebro carnal), Centro Laríngeo (em relação topográfica com a laringe e responsável pelas funções de fonação e respiração, além de abranger as atividades correspondentes ao timo, à tireóide e às paratireóides), Centro Cardíaco ( dirige a emotividade e a circulação das "forças de base"), Centro Esplênico (determina todas as atividades em que se exprime o sistema hematológico no corpo carnal), Centro Gástrico (responsável pela absorção e digestão dos alimentos e fluidos), Centro Genésico (modelador de formas e centro de estímulos criativos).
Durante a desencarnação, há uma "histogênese espiritual" do psicossoma, como um renascimento para o mundo espiritual, aproveitando os elementos vivos desagregados do tecido citoplasmático, até então, ligados à colmeia carnal (provavelmente, é nesta fonte que se encontre a "matéria inerte" referida por Kardec). Durante este processo, os elementos citoplasmáticos voltam à condição embrionária para se multiplicar e plasmar, sob novas condições, o psicossoma segundo as exigências da mente, agora, desencarnada. Lógico que a não necessidade de procriação e a não formação de dejetos a partir dos alimentos espirituais, por exemplo, acarretam mudanças funcionais nos centros genésicos e gástrico, respectivamente. É neste instante que o Espírito "reprograma" sua mentalidade para um novo estado de vida e ocorre o fenômeno de rememorização de toda a existência carnal que caracteriza a crise da morte. Processo semelhante ocorre durante a reencarnação, quando o psicossoma "se desgasta" na "esfera imediata à esfera física", sofrendo uma redução automática, devolvendo ao plano espiritual toda matéria que não for essencial aos princípios organogênicos do perispírito durante a formação do novo corpo carnal ao longo da gestação, quando um novo psicossoma se formará, adaptado à vida reencarnatória Kardec já definia este fenômeno como "morte espiritual".
Corpo Mental preside à formação do psicossoma, assim como o psicossoma modela o corpo carnal. André Luiz fornece poucas informações sobre este elemento do perispírito, considerando-o o "envoltório sutil da mente", formado por partículas de pensamento tão variáveis em qualidade e constituição quanto os átomos e os fótons e onde os estímulos espirituais exercem ação difusível, originando as correntes "vitalizantes" que "animam" e geram o psicossoma. André Luiz o imagina como sendo o que ele observa nos "espíritos ovóides" de obsessores e Espíritos primitivos, onde a monoidéia lhes retirou o interesse pela vida de relação no mundo espiritual, originando a desagregação do psicossoma.
Em Evolução em Dois Mundos (1958), André Luiz informa que vinha estudando a estrutura mental das células de modo a se iniciar em aprendizado superior, com mais amplitude de conhecimento acerca dos fluidos que nos integram o clima de manifestação, todos eles de origem mental.