A busca do sucesso a qualquer preço

NILZA TERESA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto, SP

Hoje pode-se presenciar uma certa compulsão na busca do sucesso a qualquer preço, sobretudo, com atitudes de competição cruel que desvaloriza a dimensão do outro que compartilha o mesmo ambiente social.

O mito do sucesso que a mídia transfere às pessoas incute em mentes despreparadas a noção de que só se pode ser feliz se a pessoa for glamourosa, requisitada e aplaudida. O anonimato seria feio levando à infelicidade.

A este respeito interessante matéria foi publicada pelo Jornal da USP ( 24-30 de agosto 1998 ) intitulado "Por que as moças seguiram o motoboy? Entre a realidade e o sonho.", na qual psicólogos e psiquiatras fazem uma análise contextual do ocorrido.

Aventam esses profissionais "que crianças e adolescentes que buscam obsessivamente fama, sucesso e dinheiro acabam confundindo sonho e realidade e se colocando em situações de risco." Continuam esses profissionais analisando: "Jovens e adolescentes estão cada vez mais envolvidos pela magia promovida pela mídia que privilegia riqueza e poder, sem que para alcança-los seja preciso contar com talento e trabalho."

A esse respeito temos a estória da filha que disse à mãe, bem sucedida professora universitária: quero ganhar o que você ganha, ter o reconhecimento que você tem, mas não quero trabalhar como você trabalha. Evidencia-se o desejo de só haurir o lucro sem o esforço correspondente.

Ainda neste nosso planeta de expiações e provas com um grande contingente de Espíritos que "nem são bastantes bons para fazer o bem, nem bastante maus para fazerem o mal; tendem tanto para um como para o outro..." (O Livro dos Espíritos q. 105) impõem-se a necessidade de continuamente se esteja atento para a clarificação de valores, sobretudo para os Espíritos encarnados há poucos anos vivendo os períodos da vida material conhecidos como infância, juventude e adolescência. Por que destaque para esses períodos? Sobretudo, porque essas são as fases em que o Espírito esta mais aberto a incorporar novos valores que geram atitudes diferenciadas da maioria vigente.

Escutávamos recentemente, em programa de TV, uma matéria sobre a violência entre jovens, quando uma das entrevistadas afirmou que nesta época o comportamento dos jovens tem se caracterizado por três aspectos: ética indolor, felicidade light e banalização de valores. Continuava afirmando que estes comportamentos ocorrem porque a grande maioria dos jovens encontram-se desesperançados com suas possibilidades futuras.

Concordamos com a trilogia, entretanto como espíritas precisamos pensar e refletir sobre a questão da desesperança no futuro.

Essa desesperança pode até fazer sentido dependendo do referencial que estamos utilizando para análise, se for apenas " esta vida" podemos concordar, mas se for a perspectiva de eternidade ai a coisa muda radicalmente.

Volta-se então à questão de clarificar valores. Dependendo do nosso referencial teremos diferentes sistemas de valores. Se não vemos outra coisa além da presente "vida" há mesmo que buscar o sucesso aqui e agora tendo a dita ética indolor e a felicidade light ou seja a dimensão do outro não me diz respeito, eu estando bem tudo está bem. Ledo engano, pois vivemos em sociedade e esta como um sistema não foge a lei primeira de todo sistema: o que afeta uma parte do sistema afeta o sistema como um todo.

Quando podemos assim compreender deixamos de ver no outro "um objeto" que se presta a minha realização pessoal mesmo que isso o faça sofrer e o torne infeliz.

O grande antídoto deste comportamento descompromissado com o outro é despertar nas pessoas o "desejo do bem", pois quando se deseja o bem, conseqüentemente, todo o proceder direciona-se na busca de bem estar pessoal que necessariamente contemple o bem estar da coletividade.

Respeitadas essas condições nada impede que se busque espaço social e sucesso, como fruto do esforço individual ou grupal. É nossa tarefa de espíritas transmitir essa mensagem, clarificando valores.