LEDA MARQUES BIGHETT
de Ribeirão Preto, SP
Estudo 2:
O que todas essas reflexões asseguram a Kardec?
Toda essa argumentação, deixou claro a Kardec que a direção futura não podia ser de uma única pessoa ou centro completamente estruturada, pronta, da mesma maneira que toda ciência astronômica não poderia sair inteiramente constituída de um único observatório "(...) qualquer centro que tentasse erguê-la exclusivamente sobre as suas observações, faria coisa incompleta e se acharia, com relação a uma infinidade de pontos, em contradição com os outros. Se mil centros quisessem fazer cada um a sua doutrina, não haveria duas iguais em todos os pontos. Se estivessem de acordo quanto aos fundamentos, difeririam inevitavelmente quanto à forma. Ora, como há muita gente que atenta mais na forma do que na substância, tantas seriam as seitas quantas as formas diferentes. Somente do conjunto e da comparação de todos os resultados parciais podia resultar a unidade. Por isso é que era necessária a concentração dos trabalhos."
Assim, a direção, de individual que teve que ser no começo, há que se tornar coletiva uma vez que maior garantia apresenta um conjunto de indivíduos, onde a cada um caiba apenas um voto que nada representará ou poderá sem o concurso mútuo. Um só indivíduo pode abusar da autoridade e querer que predominem suas idéias pessoais.
Assim, em vez de um chefe único, a direção confiada a uma comissão central, cuja organização e atribuições se definam de modo a não dar oportunidade ao arbítrio, à imposição pessoal e personalista.
Naquele momento, essa comissão compor-se-ia de doze membros titulares e igual número de conselheiros e estes nomearão seu presidente por um ano, onde a autoridade será puramente administrativa. Dirigirá as deliberações da comissão, velará pela execução dos trabalhos, pelo expediente e nenhuma decisão poderá tomar sem o concurso dos demais. Dessa forma não há possibilidade dos abusos, alimento à ambição, intrigas, ciúmes ou supremacia chocante.
Essa comissão central será o verdadeiro chefe do Espiritismo, chefe coletivo, que nada poderá sem assentimento da maioria: sua autoridade será equilibrada; seus atos fiscalizados pelos congressos e assembléias gerais. Reafirme-se que ao falar em autoridade, será esta totalmente moral no que diz respeito à interpretação e aplicação dos princípios da Doutrina; jamais um poder disciplinador.
Semelhante organização oferece garantias de estabilidade. Perca-se um ou vários de seus membros, nada a desequilibra, uma vez que todos os que ali chegarão, são acordes no tocante aos princípios fundamentais.
"A causa mais comum da separatividade entre co-interessados é o conflito de interesses e a possibilidade de uns suplantarem outros, em proveito próprio. Esta causa não pode existir, do momento em que o prejuízo de um nada aproveitará aos outros; desde que todos são solidários e somente podem perder, em vez de ganhar com a desunião. É esta uma questão de minúcia prevista na organização."
Nesse passar pelos pensamentos de Allan Kardec, em relação à expansão e propagação do Espiritismo no mundo, encontramos a raiz destes estudos sobre a função do Centro Espírita que por ora se encerram ressaltando a atualidade e importância dessas reflexões.
Adequados e trazidos para hoje, esses questionamentos desaguam naquilo que conhecemos como Movimento Espírita, isto é, o conjunto das atividades organizadas pelos espíritas para por em prática a Doutrina que encontrará no Centro, em seu objetivo de estudo, prática e divulgação da mesma Doutrina no seu tríplice aspecto, a unidade fundamental desse Movimento, onde a prática espírita em todos os seus segmentos deve ser desenvolvida e aprimorada.
O Centro é o agente; é aquele que apresenta aos freqüentadores a Doutrina que também estabelece vínculo entre as várias sociedades unindo-as por um laço comum. Nessa união forma-se o Movimento de Unificação onde ideal único constitui a "família espírita".
No "Projeto 1868", Kardec ainda reflete que o maior obstáculo a que se alcance tal ideal, será a falta de idéias, sentimentos e propostas, necessitando insistir para que se tenha claro que a ação benéfica do espírito de equipe supera as ações dos grupos fechados e isolados.
Assim, a razão de ser do Movimento Espírita só pode ser: estudo, divulgação e prática da Doutrina. Nesse sentido, se almeja que as sociedades canalizem suas atividades na perfeita difusão e vivência do Evangelho de Jesus, à luz da imortalidade, da reencarnação, da justiça, da misericórdia e inesgotável amor divino.
Cada página de livro, jornal ou revista espírita; cada programa de rádio, televisão; cada palestra, encontro, conferência deve-se constituir em oportunidade para divulgação dos princípios esclarecedores e libertadores da Doutrina Espírita levando à alma de tantos quanto o conheçam, sementes de consolações e esperanças e entendimento superior da vida, de uma concepção de fraternidade com base nas sublimes verdades de Jesus e explicadas no consolador prometido.