Carta aberta aos leitores do Verdade e Luz

AMILCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos, SP

Escrevo esta carta a você, meu irmão em humanidade, com todo o carinho de quem o ama, com um amor que vai além da própria vida. Mas não é uma convencional carta de amor ou amizade, é talvez, mais propriamente uma advertência, um chamado aos brios, que aplico também a mim.

O que estamos fazendo deste lindo mundo que Deus nos deu como morada e escola evolutiva? Onde foram parar nossas florestas? O que resta da Mata Atlântica e da Selva Amazônica? Como respirar esse ar intoxicado de carbono, chumbo, enxofre e fumaça de todo tipo e qualidade?

Como podemos nos alimentar seguramente com tanto agrotóxico aplicado na agricultura? O que fazer com as nossas praias que pouco a pouco vão se transformando numa enorme cloaca, ou seja, uma imensa fosse negra, superpovoada por coliformes fecais?

E a nossa vida moral, sentimental, de relação com o nosso próximo? Para que se casa hoje em dia se já se sabe que haverá separação em pouco tempo? E nossos filhos, que não encontramos tempo para cuidá-los e nem para acariciá-los, e sem carinho, sem atenção acabam por tornarem-se rebotalhos, ou lixo humanos. Também não nos acariciamos, não nos damos a atenção devida.

Nossos jovens, não encontrando o amor no lar paterno, ou vivendo sem o apoio deste, se deixam seduzir pelas drogas, porque suas vidas se tornaram apenas isto, uma droga.

A violência convive conosco no dia-a-dia. Mata-se e morre-se por ninharias. O trânsito neurótico não melhora nem mesmo com pesadas multas, e guerras surgem pelos motivos mais absurdos e insensatos. A indústria bélica ainda fatura milhões de dólares por ano, enquanto bilhões vivem na pobreza, e mais de um bilhão de pessoas sobrevivem com menos de um dólar por dia.

Sem tetos, sem terras, sem empregos somam-se numa proporção geométrica, enquanto a corrupção enriquece e engorda uma classe que poderíamos chamar de, sem dignidade.

Este é um pálido retrato do nosso mundo nas proximidades do terceiro milênio. Estaria o nosso mundo perdido? Não! Absolutamente não!

Sabemos que essa exposição pode levar-nos ao desespero, fazer sentir-nos impotentes ante a tragédia da civilização, mas não nos sintamos derrotados. À nossa frente existe uma ponte que se chama esperança. Sim! Depende apenas de nós mudarmos essa situação. Lógico que não conseguiremos nada se permanecermos sentados no sofá da nossa sala à frente da televisão, comendo e bebendo, e deixando que introjetem dentro de nós o desespero, o desânimo, ou o comodismo.

Podemos mudar muitas coisas. Podemos combater a poluição, as drogas, a violência, a corrupção e a morte. Podemos trabalhar por um mundo melhor, mesmo que a nossa contribuição seja pequena, mas somadas à muitas outras contribuições efetivas, mudaremos o mundo.

Não podemos deixar que a ponte que nos liga à terra da esperança seja implodida. Confiemos em Deus, pois ele está no leme desta nave que se chama Terra, mas nós somos a sua tripulação. Entender e executar as suas ordens são primordiais para chegar a um porto bonançoso.

Se quisermos, de verdade, poderemos acabar com a miséria, com as guerras, com a indústria bélica, com a violência, com o mercado das drogas e da prostituição, e garantiremos à cada criança a segurança, o amor, a educação, a religiosidade.

Um dia transformaremos os tanques e canhões em tratores e máquinas úteis. Os quartéis em hospitais e escolas, os exércitos em tropas de professores, médicos e paramédicos. Ninguém morrerá de fome, nem mesmo de fome de amor, compreensão, aceitação.

Todas essas coisas fazem parte do MUNDO DA ESPERANÇA, que está do outro lado da ponte, mas um dia nem mesmo a ponte será necessária, porque a esperança será realidade, pois a Terra será um paraíso, um local onde o amor permeará todas as relações, e os homens compreenderão que é necessário amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos.

Vamos todos dar as mãos e atravessarmos a ponte que conduz ao mundo da esperança. Por que não começarmos agora? Se você quiser e puder responda a minha carta aberta.

Heim!? Você quer saber onde encontrar essa ponte. Olha meu amigo, ela tem forma e consistência diferentes para cada pessoa. Eu, como você, podemos ser pontes para o mundo da esperança, mas uma ponte segura é a Doutrina Espírita. Ela baliza os caminhos com a poeira das estrelas. Para segui-la leia, estude, pratique os seus ensinamentos, e você encontrará as respostas, e as balizas de luz indicarão o rumo para este mundo da esperança. FELIZ ANO NOVO.