O estresse infantil
NILZA TERESA ROTTER PELÁ
De Ribeirão Preto, SP
Os periódicos de grande
circulação voltam a trazer este assunto à tona destacando
estudos científicos nos quais se evidenciam a incidência desta
síndrome acometendo crianças de pouca idade até os adolescentes
passando pela difícil tarefa do vestibular.
Matéria intitulada "Tô cansado manheeeê"
publicada no suplemento feminino de "O Estado de São Paulo" de 15 de
novembro p.p. destaca que estudo realizado por respeitadas instituições
constataram que, de 1000 crianças estudadas, na faixa etária
de 6 a 12 anos, 80% apresentaram sintomas de estresse. Destaca ainda a pesquisa
que essas crianças pertenciam "a classes sociais diferentes e escolhidas
aleatoriamente, em escolas ou clubes onde desenvolviam atividades esportivas",
eram todas residentes na cidade de São Paulo.
Especialista consultado afirma que as crianças hoje
não são tratadas como crianças mas como adultos em miniatura
pois que se impõem aos mesmos alterações na forma natural
de brincar. "Em vez do saudável esconde-esconde ou o jogo de queimada
fica-se com o video-game e os joguinhos de computador." Esses são brinquedos
solitários nos quais, quase sempre, a máquina sai vencedora
ao contrário dos brinquedos em grupos onde se desenvolve regras sociais
e morais, bem como facilita extravasar tensões.
Já alertavam os Espíritos em "O Livro dos
Espíritos" da necessidade do viver em sociedade como forma de desenvolvimento
moral do Espírito, pois só nesta maneira de viver se torna possível
lapidar as arestas de nossa personalidade.
Os sinais desta síndrome são numerosos e
só podem caracterizá-la se aparecerem alguns deles combinados.
São eles: distúrbios do sono para mais ou para menos ou na sua
qualidade; irritabilidade, agressividade e agitação; suores
e tremores repentinos; problemas respiratórios; gagueira e tiques nervosos;
enjôos, tonturas, dores no peito, batimento acelerado do coração;
preocupação, nervosismo e tristeza; apatia, explosão
de raiva; dores na barriga e problemas estomacais; choro excessivo e sem motivo;
problema de pele ou alergia; a criança volta a fazer xixi na cama ou
a roer as unhas; boca seca e ranger de dentes; atitudes assustadas ou timidez
excessiva; dificuldade de concentração e memorização.
(Fonte: Instituto de Stress, Psicossomática e Psiconeuroimunologia)
Qual a origem do estresse infantil com certeza estaremos
perguntando? Podem ser muitas: falta de tempo para brincar, excesso de atividades,
cobrança exagerada dos pais ou da escola, falta de atenção
dos pais ou ausência de respostas aos questionamentos; pressão
por resultados nos esportes; situações de tensão como
no trânsito, ruídos excessivos, poluição; descaso
com a alimentação, situações de grande impacto
emocional que podem variar desde cenas de violência até a mudança
de cidade.
Na adolescência além destes fatores temos
o vestibular como desencadeante. Estudo realizado pela Faculdade de Ciências
e Letras de Assis - UNESP, (Jornal da Educação, v5, n.°
61) com 921 vestibulandos em três situações: nas proximidades
do vestibular, uma semana antes e 24h antes , encontrou sinais semelhantes
aos atrás descritos, bem como encontrou que "a maior causa do estresse
no vestibulando esta relacionada à pressão exercida pela família"
Olhemos estas questão pela ótica dos ensinamentos
dos Espíritos.
Em primeiro lugar vamos lembrar que a infância é
um período de ajustamento às novas experiências e que
os adultos, pais e professores, têm importante tarefa neste período
ajudando o ajustamento das crianças. (questão 383 de O Livro
dos Espíritos ) Outro ponto a considerar é que toda a atividade
útil é um trabalho que nos faculta desenvolvimento intelectual.
(questões 674, 676 e677 op.cit). Ora se assim compreendermos urge que
se encaminhe as crianças para que seu trabalho, ou seja seu desenvolvimento
intelectual, não lhe seja fonte de estresse.
Lembrar que o Espírito vivendo a fase infantil da
presente reencarnação é portador de aquisições
próprias e que muitas vezes os pais e familiares têm expectativas
de desempenho que ainda não fazem parte do acervo
daquele Espírito. Impor exigências excessivas à quem ainda
não pode suportá-las, mais prejudicam que ajudam. Sabemos que
sempre há a preocupação de que possa estar favorecendo
a negligência infantil e dos adolescentes, mas sempre nos sobra a observação
concreta dos resultados de nossas cobranças, se geradoras de estresse
vale pensar na sua adequacidade para aquele Espírito.
(nota: originalmente a palavra stress, de origem inglesa
só aparecia assim em português, entretanto hoje em nossa língua
ela já aparece grafada como estresse.)