J. MARTINS PERALVA
de Belo Horizonte, MG
Uma simples análise da filosofia religiosa evidencia que o prisma palingenésico, reencarnacionista, oferece ampla e lógica visão em torno da justiça divina. As religiões e filosofias não-reencarnacionistas ensinam a unicidade das existências: a alma é criada para o corpo que vai animar.
As reencarnacionistas preconizam a sucessividade das vidas, com o conseqüente progresso, cultural e espiritual, que é um apanágio, uma prerrogativa de todas as criaturas, em todos os reinos do Universo.
Vultos que deixaram suas nobres vidas, seus nomes ilustres, marcados na história da humanidade, aceitaram a reencarnação - a "roda dos nascimentos": Sócrates, Platão, Pitágoras, Viasa, os essênios, os druidas etc.
Jesus, o maior expoente da humanidade, enfoca o retorno das almas ao campo das lutas redentoras, aprimoratórias, sequüenciando o processo evolutivo, meta de todos os seres: em seu Evangelho de Luz, o Mestre fala, com meridiana clareza, sobre a reencarnação: no diálogo com Nicodemos, importante autoridade do Sinédrio (Jo. 3-3); na referência a João Batista, que teria sido Elias reencarnado (Mt. 11-14,15); na conversa com os discípulos, a respeito do cego de nascença (Jo. 9-1, 2 e 3).
Allan Kardec, o insigne codificador do Espiritismo, após exaustivos estudos e criteriosas pesquisas, resume, em lapidar síntese filosófica, o universal esforço do Espírito em busca do progresso, da felicidade: nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sempre - tal é lei.
A tese da unicidade das existências - ou das múltiplas vidas - limita, a nosso ver, os laços espirituais aos impositivos da consangüinidade, enquanto o reencarnacionismo assegura a continuidade, a seqüência dos vínculos.
Pelas reencarnações sucessivas, viabiliza-se o desenvolvimento moral, intelectual, social; pela seqüência do aprendizado, na esteira insondável dos milênios, oportunizando aos Viajores do Infinito (os Espíritos, criados simples e ignorantes) a incorporação às suas individualidades eternas de crescentes valores, nas áreas das virtudes e dos conhecimentos, que se somam, obviamente, aos patrimônios anteriormente adquiridos.
Não seria possível ao homem, numa só existência, mesmo que lhe fossem conferidas duas centenas de anos, a aquisição de todos os valores culturais e morais - síntese da Perfeição.
A tese unicista pode sugerir parcialidade da justiça divina, pela diversidade de experiências que caracterizam a sociedade, os agrupamentos humanos, com o seu cortejo de contradições.
A filosofia reencarnacionista, preconizando múltiplas vidas, delineia amplos, justos, promissores horizontes, que fortalecem a aproximação, o intercâmbio entre os homens.
A reencarnação, evidentemente, renova esperanças; universaliza o conceito de fraternidade e amor; mostra-nos um Pai amoroso e justo, pleno de bondade e carinho para com todos os seus filhos.
Pelo reencontro das almas, em novos corpos, segundo o enfoque do Espiritismo, que floresce sob a égide do Evangelho, consolidam-se afetos; recompõem-se elos que ficaram à distância, nos ignotos caminhos do universo; retomam-se labores iniciados no passado longínquo; aprimora-se a renúncia pessoal; rearmonizando-se adversários.
A reencarnação brilha, nos roteiros humanos, como a nossa grande oportunidade, simbolizando luz e esperança, progresso e ascensão, integrando-nos à grande Família Universal.
"(...) Jesus, o maior expoente da humanidade, enfoca o retorno das almas ao campo das lutas redentoras, aprimoratórias (...)"