AMILCAR DEL CHIARO FILHO
de Guarulhos, SP
O adultério é um grave delito nas leis religiosas, mas, depois de tanto tempo deixou de ser crime no código civil brasileiro. Entretanto, todas as leis sempre foram muito mais severas com as mulheres, do que para com os homens.
Na antigüidade judaica isto era compreensível porque a mulher era uma mercadoria adquirida pelo marido, e quando alguém adulterava com uma mulher, estava lesando a propriedade do marido.
Quando quiseram envolver Jesus de Nazaré numa cilada, no caso de uma mulher que foi apanhada em adultério, queriam enredá-lo com a lei ou com a inclemência. Se ele mandasse lapidá-la, conforme a lei, seria considerado insensível. Se ele a perdoasse, incorreria na lei de Moisés que mandava lapidar tais mulheres.
Ali estavam alguns homens de todas as idades. Jesus abaixou-se e começou a escrever na areia, talvez os adultérios daqueles homens. E, mediante a insistência, Jesus que era um homem cósmico, sentenciou: aquele dentre vós que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra.
Talvez algum deles ficasse tentado a atirar a primeira pedra, mas quando viu seu nome escrito com a enumeração de seus adultérios, certamente desistiu. Como todos fossem embora, Jesus perguntou:
Mulher! Onde estão os teus acusadores?
Foram-se, Senhor.
Ninguém te condenou?
Ninguém, Rabi!
Então vá e não peques mais, para que não te aconteça coisa pior.
Devemos considera que o adultério não é somente o deslize sexual, mas tudo aquilo que falseamos. É adúltero quem altera o vinho. É adúltero quem rouba no peso ou na qualidade do seu produto. É adúltero o político desonesto, os governantes opressores, os que enriquecem com os bens públicos.
É adúltero o religioso hipócrita, o que usa a religião para alcançar objetivos espúrios, como é adúltero o falso mendicante e o homem ou mulher que guarda em seus cofres e armários muito mais do que pode utilizar equilibradamente.
Os espíritas também precisam tomar cuidado, não só no que diz respeito ao comportamento humano, mas também para não adulterar a mais libertadora das mensagens, que Allan Kardec nos outorgou.