DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP
"Blessed are the peacemakers: for they shall be called the children of God". (St. Matthew - chapter 5 - V 9)
Entendemos por paz: a ausência de lutas, também, a ausência de violências físicas ou verbais entre as pessoas. Quando atingimos aquele estado de plena serenidade, estamos em paz. Assim, podemos afirmar que a paz começa em nós e se projeta dos nossos gestos e palavras e até dos nossos pensamentos. Os pacificadores são aquelas criaturas, já evoluídas espiritualmente, que aceitam o fogo das dissenções e dispõem de elementos para extingui-lo. Retiram do mais íntimo da Alma "subsídios próprios" e com os mesmos alimentam tranqüilidade a todos aqueles que lhes compartilham a marcha.
Não é fácil, mas também não é impossível distribuirmos o alimento da concórdia, reconhecendo que a bênção da paz é o clima indispensável para o nosso aprimoramento.
Sabemos que os Espíritos Superiores, domiciliados, na Vida Maior, desenvolvem empreendimentos da paz em todos os sentidos. Eles precisam de colaboradores fiéis que os ajudem nesta tarefa bendita. Sejamos, assim, meus amigos, os instrumentos da paz, para que possamos ajudar esses nossos Irmãos Maiores. Sabemos que a missão da paz é difícil, aqui no nosso plano menor, onde vicejam as flores do mal. Mas, façamos um esforço, domando nossos impulsos inferiores e transformando-os em raios de luz e de paz.
Estamos, praticamente, numa virada de século: as agressões repontam à nossa frente, como urzes que tentam impedir a nossa caminhada. Sejamos, meus amigos, os Bons Samaritanos do Evangelho social: onde a palavra seja convocada ao socorro fraterno, falemos auxiliando; onde o mal aparece ferindo corações, tentemos pensar as feridas; ante os irmãos recalcitrantes no mal, usemos tolerância elevada à potência infinita, na certeza, de que esses irmãos, mais cedo ou mais tarde, chegarão ao caminho do Bem. Se a ingratidão e a injúria, como flechas amargas, vierem nos atingir, saibamos perdoar os irmãos que nos atiram aludidas flechas. Nada poderá nos atingir se tivermos a nossa consciência tranqüila. Devemos guardar silêncio onde o silêncio consiga apagar desavenças e acusações e devemos transformar no ponto terminal de qualquer processo da incompreensão, capaz de degenerar em perturbações maiores. Lembremo-nos, sempre, do que já disse um célebre filósofo: "perdoar e esquecer são as duas chaves da paz".
Quanto mais nos espiritualizarmos, mais ascendemos nos degraus da vida e assim vamos nos aproximando da perfeição moral. Nestas circunstâncias, vamos construindo aquela atmosfera de paz ao nosso derredor, beneficiando os irmãos que caminham ao nosso lado.
Valem para o encerramento, deste nosso modesto comentário, as palavras de um nosso Irmão Desencarnado:
"A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se nós não habituarmos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?" ("Jesus no Lar" - Espírito de Neio Lúcio - Psicog. de Francisco C. Xavier).