Platão: Precursor do Espiritismo

NATALINO D'OLIVO
de São Paulo, SP

Platão (427-347 a.C) - nasceu em Atenas. Filho de família aristocrática e abastada. Seu nome verdadeiro era Aristocles. Devido a sua constituição física, recebeu o apelido de Platão, que, em grego, significa ombros largos. Na juventude entregou-se ao estudo das ciências sob o magistério de Cratilo, discípulo de Heráclito. Mais tarde passou para a escola de Sócrates a quem ouviu por quase dez anos. Por ocasião da morte do mestre, retirou-se para Megara, donde empreendeu uma série de viagens ao Egito, à Itália e à Secília. De volta à Grécia, estabeleceu-se definitivamente em Atenas, abrindo sua escola, com o nome de Academia. De então até a morte, ocorrida em 347, ocupou-se exclusivamente em ensinar e escrever.

Platão é o primeiro filósofo antigo de quem possuímos as obras completas. Dos 35 diálogos, porém, que correm sob o seu nome muitos são apócrifos, outros de autenticidade duvidosa. A forma dos escritos platônicos é o diálogo, transição espontânea de Sócrates e o método estritamente didático de Aristóteles. No fundador da Academia, o mito e a poesia confundem-se muitas vezes, com os elementos puramente racionais do sistema. Seus diálogos mais importantes são: Apologia de Sócrates, Criton, Fedon, o Banquete, Fedra, Górgias, Parmênides e o Estadista, República, Protágoras, Convívio, Timeu, Teateto, e As Leis.

Um dos aspectos mais importantes da filosofia de Platão é sua teoria das idéias, através da qual procura explicar como se desenvolve o conhecimento humano. Segundo ele, o processo de conhecimento se desenvolve por meio da passagem progressiva do mundo das idéias e essências. A primeira etapa do processo é dominada pelas impressões ou sensações advindas dos sentidos. Essas impressões sensíveis são responsáveis pela opinião que temos da realidade. A opinião (doxa, em grego) representa o saber que temos sem tê-lo procurado metodicamente. O conhecimento, entretanto, para ser autêntico, deveria ultrapassar a esfera das impressões sensoriais, o plano da opinião, e penetrar na esfera racional do mundo das idéias.

Para se atingir o conhecimento autêntico (epistéme), Platão propõe o método dialético, que consiste na contraposição de uma opinião através da discussão, até escoimá-la de erros e equívocos. A opinião pessoal pode estar errada. Isto porque as coisas particulares têm suas características opostas, como belo e feio, justo e injusto e o conhecimento sensível das coisas pode ter um caráter contraditório, como ser e o não ser, mais relacionado com a opinião e não ao conhecimento propriamente dito. Somente quando saímos do mundo sensível e atingimos o mundo racional das idéias, alcançamos também o domínio do ser absoluto, eterno e imutável. Nesse mundo das idéias, só podemos entrar através do conhecimento racional, científico e filosófico.

A opinião se forma pelo conhecimento parcial das coisas, através dos sentidos. O mundo sensível é um mundo de seres incompletos e imperfeitos. No mundo das idéias moram os serem totais e perfeitos: a justiça, a bondade, a coragem, a sabedoria, etc. O mundo das idéias é o verdadeiro. Quando nascemos trazemos as idéias perfeitas e, por isto, precisamos nos esforçar por recordá-las. "Recordar é viver". Para a pessoa sair da ilusão para a realidade, para a luz, ele criou uma alegoria, conhecida como mito da caverna que explica a evolução do processo do conhecimento. Para ele a maioria dos seres humanos se encontra nos fundos de uma caverna, de frente para a parede e de costas para a abertura luminosa. A luz que entra na caverna projeta na parede as sombras dos seres que estão fora, na claridade. O prisioneiro contempla as projeções e, acostumado com elas, assume a ilusão do que vê, como se fosse a realidade. Para se libertar da ilusão, teria que habituar os olhos à visão do real. É maravilhosa esta alegoria. Não podia ser melhor para mostrar a situação da maioria, voltada, exclusivamente, para o mundo dos sentidos, de costas para o mundo do real que está dentro de si e no mundo dos espíritos, de onde viemos e para onde voltaremos.

As idéias de Platão são claras e profundas. Em seus livros encontramos textos que o identificam como um homem de grande percepção espiritual. Ensinava a imortalidade da alma a reencarnação e outros pontos de suma importância sobre a vida humana, razão pela qual Kardec o considerou, juntamente com Sócrates, como precursor do Cristianismo e do Espiritismo.