MARCUS VINÍCIUS FERRAZ PACHECO
de Recife, PE
Referimo-nos, no título deste artigo, ao dinheiro que circula na sociedade humana como "vil metal", por ainda ser esta uma expressão bastante utilizada pelos espíritas para fazerem alusão aos recursos financeiros representados pelas cédulas e moedas.
Ao lado de outras carências, o movimento espírita em geral enfrenta grandes dificuldades em seus empreendimentos doutrinários e administrativos por sofrer escassez desse elemento tão incompreendido pelo homem até os dias de hoje. Com efeito, raros são os indivíduos que mantêm uma relação equilibrada com o dinheiro, sem traumas, sem culpas, sem excessos de alguma natureza.
Abordando esse assunto, é impossível deixar de citar nosso estimado confrade baiano Ildefonso do Espírito Santo - atuante trabalhador da causa espírita no Brasil, que ao tratar da questão, sempre menciona que desde quando alguém declarou que "dinheiro e espiritismo não se misturam" estabeleceu-se um pretexto para os que não gostavam muito de "meter a mão no bolso" continuarem deixando de colaborar financeiramente com as obras espíritas.
Essa frase, equivocadamente interpretada, é a grande responsável pela maioria das dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia da divulgação da Doutrina Espírita. Grande parte dos nossos confrades, ativos participantes das atividades das inúmeras Instituições Espíritas espalhadas pelo nosso País, mudam de assunto tão logo o apelo que lhes são dirigidos implique na emissão de um cheque ou na entrega de algumas cédulas. A questão está de tal forma enraizada que muitos ficam indignados diante da simples cobrança de uma taxa de inscrição para um evento espírita. Costumam lembrar passagens evangélicas como "dai de graça o que de graça recebestes" para se esquivarem dessa "dolorosa" responsabilidade, fazendo uma certa confusão entre o que recebemos como dádivas da Espiritualidade e da Doutrina Espírita, com a manutenção das Casas Espíritas e a realização de variados eventos que geram despesas e que, portanto, não são obtidos de graça.
Naturalmente, não podemos esperar que alguém que esteja desempregado ou passando por problemas financeiros graves, venha doar suas economias para algum empreendimento espírita. Todavia, é comum observarmos companheiros nossos apresentando claros sinas de uma vida confortável portando-se como se não tivessem a mínima condição de ajudar.
Aqueles que dirigem uma Instituição Espírita ou coordenam uma de suas variadas atividades compreendem bem os percalços aos quais estamos nos referindo. Quando o trabalho é voltado para a área da comunicação espírita o problema parece insolúvel, uma vez que para a edição de um periódico, para a produção de um programa de rádio ou de televisão os valores necessários são sempre bastante expressivos.
Assim, deixamos em aberto este tema na esperança de que, sem preconceitos, sem temores, de forma absolutamente transparente e objetiva, venhamos a debatê-lo em outras ocasiões, pelo bem da Doutrina Espírita e de sua divulgação.