Mediunidade, um caminho difícil

DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP

"Edificar a mediunidade constitui uma obra digna de esforço, aliado à perseverança no espaço e no tempo". André Luiz

Gentil confreira e nossa assídua leitora, em missiva delicada, pergunta-me qual o melhor caminho para desenvolver suas faculdades mediúnicas. Vamos responder, tentando resumir um tema que demandaria longas e profundas cogitações.

Preliminarmente, prezada confreira, temos que saber o que é Médium, pois, sem esse conhecimento prévio ninguém estará em condições de exercer a função mediúnica. E, Médium, induvidosamente, como nos ensina Kardec: "é o intérprete dos Espíritos". O Médium, portanto, empresta os órgãos materiais aos Espíritos para que os mesmos possam nos transmitir as suas instruções. Para tal propósito, os candidatos à legítima Mediunidade já possuem, no seu dealbar, faculdades específicas que se revelam através do desenvolvimento. E o desenvolvimento mediúnico deve ter, como alicerce sólido, a mais elevada Moral-Cristã. Nosso Emmanuel, já nos esclarece:

"Se aspiras a ser intérprete da Espiritualidade Superior, matricula-te, antes de tudo, na Escola do Bem de Todos, para que os mensageiros do Bem eterno te encontrem no lugar certo. Ergue-te, assim, para realizar o melhor que puderes. Traduzir os Emissários do Bem será sempre unirmo-nos a Eles em serviço constante".

Prezada confreira, para que você possa conseguir um desenvolvimento harmônico das sadias faculdades, necessário se torna que você se afaste um pouco do mundo de César e se aproxime mais do mundo de Deus.

Dois livros são necessários e indispensáveis para uma boa formação mediúnica:

1. Instruções Práticas sobre Manifestações Espíritas;

2. O Livro dos Médiuns.

Todo candidato à legítima Mediunidade deve, com amor e carinho, estudar esses dois Archotes da lavra do nosso insuperável Kardec. Sim, eu disse estudar e não apenas ler. Ler é uma coisa e estudar é outra. Depois, querendo, poderá embrenhar-se nas leituras mais pesadas e mais complexas sobre o assunto, mas essas leituras dependem de uma ampla cultura em todos os sentidos.

Não deve o candidato à Mediunidade empolgar-se com os cursos das Federações. Deve, sim, filiar-se a um núcleo mais humilde e formado por criaturas sumamente evangelizadas e que tenham como bússola norteadora aqueles dois livros de Kardec. Não basta ao candidato dizer-se que já está formado por uma Escola de Médiuns e julgar-se apto para a prática Mediúnica. Sabemos que o trabalho do Médium deve ser constante e eterno, no campo da caridade. E, o Médium, deve estar sempre vigilante para não cair no terreno escorregadio das mistificações. Enfim, prezada confreira, todos os candidatos à legítima Mediunidade, devem seguir a "linea vitae" do nosso Magnífico Francisco C. Xavier.

Não é em instituições pomposas, mas em grupos modestos e bem intencionados, fiéis aos princípios doutrinários, que a prezada irmã e irmãos devem aprimorar as suas faculdades, aprendendo no estudo e na prática, através de trabalhos beneficentes prestados aos Espíritos sofredores, encarnados e desencarnados.

Em todos os tempos, os Médiuns são árvores que devem oferecer os frutos espirituais aos seus irmãos. A literatura espírita é rica em nos apresentar Médiuns em todos os Países, em todas as camadas sociais, entre ricos e pobres, grandes e pequenos, para que não haja deserdados do "Dom" e para provar aos homens que todos são chamados.

Se a mediunidade é um "Dom" que Deus concede aos seus filhos, o Bom Médium deve saber usá-lo para o Bem. Esse "Dom" deve ser cultivado com absoluta honestidade de propósitos. Ao contrário, caso o Médium venha a se desviar do legítimo caminho, usando a "mediunidade" para coisas fúteis e prejudiciais, a serviço de interesses mundanos, acabará perdendo esse "Dom" que se lhe tornou inútil e, então acabará tombando no escorregadio terreno das mistificações, vítima dos maus espíritos. Nestas circunstâncias, o mau médium pode ser comparado com aquela "figueira seca" da parábola, símbolo das pessoas que apenas têm aparências do bem, mas realmente nada produzem de bom.

Prezada confreira, ante o exposto, dá para perceber que o caminho da legítima Mediunidade é difícil, mas não é impossível de ser palmilhado. Para tanto, toda criatura que tenha, no íntimo, a vocação mediúnica, deve se munir de muito Amor e de muita Paciência. Sim, a Mediunidade, como a flor, vai desabrochando lentamente, através do trabalho e do estudo.

Para encerrarmos, lembramo-nos das judiciosas palavras do nosso querido Dr. Bezerra de Menezes:

"A Mediunidade posta ao serviço do Bem é quase a estrada do Gólgota, mas a fé transforma em flores as pedras do caminho".