Dia do Livro
NATALINO D'OLIVO
de São Paulo, SP
Dia 18 de abril é o dia do livro. Esta data foi escolhida em homenagem a Monteiro Lobato, nascido em 18 de abril de 1882. Grande e famoso escritor da língua portuguesa, tendo-se destacado na literatura infantil. Sua produção literária no campo do romance também é espetacular. A data é muito significativa, porque o livro constitui, na evolução histórica da humanidade, grande instrumento de renovação social. Mas, para nós brasileiros e, em particular para os espíritas, a data se reveste de suma importância por dois motivos: primeiro porque prestamos uma justa homenagem a esse querido e apreciado escritor pelas alegrias que espalha no espírito das crianças e segundo porque comemoramos aniversário do surgimento de O Livro dos Espíritos, ocorrido em 18 de abril de 1857, marco de uma nova civilização, porque redescobriu o Cristianismo, na sua pureza primitiva, oferecendo uma mensagem para os tempos modernos, de forma a atender às mais nobres aspirações do ser humano.
O livro é um portador de idéias. A energia condicionada em suas letras e frases, quando liberada, produz naturalmente seus efeitos que podem ser benéficos ou maléficos de conformidade com o que pretendeu o autor e de conformidade com o fim que buscou o leitor.
O livro é passivo, porque fica nas prateleiras das bibliotecas, públicas ou particulares, nas estantes, à espera de alguém que o busque e o manuseie. Entretanto, aberto, lido e estudado, torna-se um elemento ativo, dinâmico, reformador, plasmador de caráter e de personalidade. Quando alguém o lê, é ele que está falando. De efeito se torna causa. Isto ocorre, porque o livro circula de espírito para espírito, numa espetacular sintonia e identificação. Há uma interação entre o autor e leitor. Ele é o traço de união entre os dois. Provoca o diálogo, a polêmica, o debate, a pesquisa, o interesse pelo aprofundamento do assunto, permitindo o desenvolvimento da potencialidade do leitor. É um elemento formador da cultura. O livro é um ser inanimado e mudo quando na estante, mas quando lido, torna-se um "ser vivo", animado e falante. Temos a impressão de que o autor se visibiliza nas entrelinhas, corporificando-se nas idéias que expressa, como se quisesse gritar que não está morto, nem oculto, mas vivo.
A civilização propriamente dita começou a partir da escrita, inventada na Idade dos Metais, ocasião em que se deu a transição da Pré-história para a História. O homem inventou símbolos gráficos das palavras, passando a fixar, pela escrita, sua linguagem. Aumentou sua comunicação verbal no espaço e no tempo. Passou a ter história. Os primeiros documentos surgiram entre os anos 5.000 e 3.000 a.C. Não há dúvida que o homem passou a progredir quando teve a idéia de reunir seus escritos em documentos, porque lhe permitiam analisar o passado, situar-se no presente e projetar-se no futuro. Os elementos da história dão ao homem meios de comparação e conseqüentemente de opção para a sua melhoria.
Com a invenção da imprensa, em 1456, por Hans Gutemberg, houve uma revolução completa no método de divulgação das idéias. Antes da invenção da máquina de imprimir, a divulgação das idéias era feita por meio de manuscritos. Era muito limitada, porque era trabalhosa e cara. Por esta razão a cultura era privilégio dos homens ricos. Antes da impressão de livros, as idéias eram impressas em volume, que quer dizer rolo de papel. Quando o volume não era de papel, era de papiro, ou de peles de animais, unidas em longa tira. O papiro e as peles de animais eram materiais usados antes do papel. Os livros antes da invenção da imprensa, tinham a mesma forma, porém, eram copiados. Daí o seu encarecimento e o privilégio dos que tinham dinheiro. Quando surgiu a imprensa, o livro a ser impresso em primeiro lugar foi a Bíblia. Falar, portanto, hoje, de livro, é falar da cultura, do progresso, da civilização. A impressão de livros, sem dúvida, marcou o início de uma nova era para a humanidade, porque o "mundo se constroe com homens e livros". O livro aproximou o mestre do discípulo. Vejamos a poesia de Belmiro Braga sobre a importância do livro:
Há no livro uma luz calma
que torna o mundo maior:
Quem vê pelos olhos d'alma
vê mais longe e vê melhor.
Nas vossas aulas de estudos
seja embora insana a lida
é onde se forja o escudo
para os embates da vida.
Um livro aberto parece
uma ave que quer voar;
e, quem lê, reza uma prece
ao saber, santo no altar.
Não descureis a leitura
que a leitura nos consola:
Não existe noite escura
para que cursou a escola.
O livro é como uma semente. De acordo com a terra, a semente nasce vigorosa ou frágil. Umas vingam, crescem, florescem e produzem. Outras ainda, não chegam a nascer. As que nascem florescem, produzem segundo sua espécie. Há semente boa e semente má. Assim, ocorre com o livro. Ele contém nas suas páginas a vitalidade própria. Quando é lido, aceito, assimilado, as idéias nele contidas ressurgem, crescem e frutificam no espírito do leitor e este como um transformador multiplica enormemente, trazendo benefícios para si e para a comunidade. É um elemento de renovação. Mas isto acontece quando o livro é portador de uma mensagem boa. Quando, porém, não o é, traz malefícios, e, ao invés de progresso, temos decadência. Desta forma podemos dizer que há livros bons e livros maus; livros que levam o progresso e livros que o retardam; livros portadores de vida, de alegria, de sucesso e livros portadores da mensagem tétrica da morte; livros que constroem e livros que destroem; livros que libertam e livros que escravizam; livros que educam e livros que deseducam; livros que humanizam e livros que animalizam; livros que divinizam o humano e livros que vulgarizam o divino; livros que elevam e livros que degradam; livros que engrandecem e livros que escarnecem; livros otimistas e livros pessimistas; livros portadores de idéias. Idéias que precisam ser analisadas, selecionadas como uma semente. Saboreamos o fruto da semente que escolhemos. Devemos difundir o bom livro; o livro que instrui, educa e consola; o livro que semeia conhecimentos positivos, que semeia verdades, amor, justiça e fraternidade entre os homens. E entre os livros bons, está o livro espírita, pelo muito que fez, que faz e que poderá fazer. Ele renova e amplia idéias na análise das coisas. E quando falamos do livro espírita, lembramos em primeiro lugar dos livros da codificação kardecista, fundamentos da terceira revelação, destacando-se entre eles e que vem em primeiro lugar, O Livro dos Espíritos, seguido do Livro dos Médiuns, verdadeiro tratado de parapsicologia; o livro Evangelho Segundo o Espiritismo, que dá interpretação do Evangelho do Cristo, em Espírito e Verdade; o livro A Gênese, que trata da gênese material e espiritual dos seres, bem como dos milagres e das predições de Jesus; do livro O Céu e o Inferno, ou a justiça divina segundo o Espiritismo. São livros que desempenham seu verdadeiro papel, porque abrem nossos olhos, nossa inteligência para uma interpretação mais racional e portanto mais coerente dos fatos da vida.