A Ciência do Viver - II

LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER
de Ribeirão Preto, SP

Relacionamento Familiar

Quando na mensagem de Emmanuel "Cortesia", impressa no livro "Família", fizemos algumas considerações sobre a frase "Toda ciência, decerto, demanda ensaio e preparação" relacionando-a com a Ciência do Viver.

Continuando, queremos lembrar que é no seio da família, na intimidade maior que ela propicia, onde temos as melhores oportunidade de ensaios, treinamentos, exercícios e preparação da Ciência do Viver.

E Emmanuel nos conclama a isso, lembrando que "a arte de amar ao próximo exige começo adequado", e esse começo adequado é a cortesia, "como sendo a iniciação do amor puro".

Cortesia quer dizer civilidade, urbanidade, polidez, boas maneiras.

Geralmente, somos corteses, civilizados com os de fora, mas, pensamos que em casa essas boas maneiras não são necessárias.

Muitas vezes, o relacionamento difícil dentro do lar começa na maneira indelicada de tratarmo-nos uns aos outros. Ora o marido respondendo acremente, ora a mulher, ora pais ou filhos agredindo-se verbalmente.

O clima, nesse caso, fica tenso, difícil. Como desenvolver simpatia, alegria, prazer num clima sem cortesia, sem delicadeza, sem boas maneiras?

A mensagem prossegue afirmando que no lar e fora dele, em qualquer lugar, em todos os instantes, somos requisitados pela bondade; e o dicionário nos esclarece que bondade significa benevolência, indulgência, brandura. Benevolência é ter boa vontade para com alguém. Indulgência é disposição para perdoar. Brandura é flexibilidade, maleabilidade, afabilidade.

Que ambiente melhor para treinarmos, exercitarmos esses sentimentos e essas atitudes do que o lar?

Se nos esforçarmos todos, pais e filhos, maridos e mulheres, irmãos, em sermos bons uns para com os outros, em termos boa vontade, em procurarmos compreendermo-nos mutuamente, por maiores sejam as diferenças de pontos de vista, de interpretação das situações, as diferenças de caráter, de temperamento, enfim, por maiores sejam as dificuldades no relacionamento cotidiano, podemos melhorar a convivência entre os membros de uma família.

"No lar e fora dele, em todos os instantes, és naturalmente intimado à compreensão e ao entendimento, à afabilidade e ao auxílio".

Compreender é "alcançar com inteligência, perceber, conhecer a razão; perceber as intenções secretas de (...)"

Entender é "ter idéia clara de; perceber; saber com perfeição; inferir, deduzir, concluir, interpretar, atingir".

Então, "meu filho mente", "meu filho é agressivo," ...

Para compreender é preciso que os pais perguntem a si próprios: — Por quê ele é assim? Será que nós, seus pais, fazemos o que ensinamos a ele" Nós não mentimos? Não somos agressivos entre nós ou em relação a eles?

Se as respostas a essas e outras perguntas forem "sim", não estamos, nós os pais, propiciando-lhe o ambiente favorável a que ele tem direito, nesta oportunidade reencarnatória de melhoria interior, de aperfeiçoamento espiritual.

Influenciamos nossos filhos diretamente, apenas alguns anos de nossas vidas. Façamos o melhor que pudermos, amando-os, demonstrando nosso amor, educando-os, principalmente, através de bons exemplos.

E este procedimento de esforço na compreensão, no entendimento, no auxílio, através do nosso esforço de renovação interior, no uso sempre da cortesia, que se constitui "na iniciação do amor puro", nos levará, pais, cônjuges, filhos e irmãos a transformarmos os relacionamentos difíceis, desagradáveis em relacionamentos mais prazerosos, mais satisfatórios, demonstrando que estamos progredindo na Ciência do Viver.