As Cinco Alternativas da Humanidade

NATALINO D'OLIVO
de São Paulo, SP

Relativamente ao futuro da alma, Allan Kardec estabeleceu cinco alternativas: materialismo, panteísmo, dogmatismo, deísmo e Espiritismo.

Materialismo

Materialismo é uma doutrina que reduz o ser a uma unidade material. Não existe alma. O nascimento é o início e a morte é o fim. A vida é um fenômeno decorrente do metabolismo. Não há origem nem destino divino. Em virtude desta conceituação da vida, a moral prevalescente é a social que assegura a convivência ou a vida no grupo. Como conseqüência, cada um deverá aproveitar a vida ao máximo possível.

O conceito de vida gera automaticamente um comportamento egoísta. O presente é tudo. Não há nenhuma perspectiva após a morte. Todo o esforço que se faça é para assegurar um futuro na Terra. O comportamento se desequilibra de tal forma que muitos querem vencer seus obstáculos ou alcançar o sucesso em detrimento de outros.

A ambição ao poder e ao dinheiro espalha a opressão e a violência. Paulo de Tarso disse:

"Seríamos os mais miseráveis de todos os homens se tivéssemos que esperar em Cristo só nesta existência. Se Cristo não ressuscitou, nós também não ressuscitamos, então comamos e bebamos porque amanhã morreremos."

Para assegurar a imortalidade na matéria, a ciência se mobiliza, inventando remédios para a velhice e preparos rejuvenescentes. Tudo se faz para que o homem se imortalize na Terra.

Panteísmo

De acordo com o panteísmo tudo que se vê é Deus. Deus é tudo: as plantas, as flores, os rios, as montanhas, o céu, a terra, os astros, os homens, enfim tudo que vemos. Deus se identifica com a natureza. Quando o ser nasce, absorve uma parte do princípio vital inteligente e que volta para o reservatório da natureza. No panteísmo há duas correntes: uma que admite a evolução até a perfeição, quando então o espírito será absorvido pela essência universal, ou Deus. Outra admite que o ser absorve a inteligência ao nascer e ao morrer essa inteligência retorna a Deus. Em ambos os casos o espírito perde a individualidade e então é o mesmo que não existisse. As conseqüências são as mesmas do materialismo.

Dogmatismo

Toda doutrina oriunda do Cristianismo ou de outras correntes filosóficas e que sustenta uma interpretação da Bíblia ao pé da letra é absurda, como por exemplo: a criação de Adão e Eva, o céu e o inferno, a salvação através do sangue de Jesus, o juízo final, a ascensão da mãe de Jesus ao céu com o corpo material, como também toda a maneira de ver as coisas pela tradição das idéias que se transmitem de pais a filhos, quando o mundo se nos apresenta como bom e sem discussão. Tudo é aceito sem contestação. É o dogma da fé cega.

No dogmatismo a criatura acredita numa série de coisas absurdas sem admitir discussão e raciocínio. De acordo com o dogmatismo a alma sobrevive, mas essa sobrevivência não está definida. Ao perder o corpo físico perde a personalidade, a razão e o livre-arbítrio, ficando totalmente imobilizada. Daí o motivo de esperar o juízo final, ocasião em que a alma tomará o corpo que ressuscitará para ser julgada. Após o julgamento ela, de acordo com suas ações, irá definitivamente para o céu ou inferno. Antes, porém, do juízo final, quem não foi muito mal nem muito bem, vai para o purgatório de onde subirá para o céu, se receber orações dos que ficaram na Terra. É o que se chama de sufrágio ou oração pelos mortos. É uma teologia confusa. Os próprios teólogos não se entendem a respeito. Uns ensinam uma coisa, outros ensinam outra. Na verdade nenhum deles sabe nada a respeito do futuro da alma. E se eles não sabem, como o povo vai saber? Ante a dúvida sobre o futuro, ficam com a vida na matéria, tendo um comportamento semelhante ao materialismo.

Os adeptos da Reforma não acreditam no purgatório, mas somente no inferno e no céu; são extremistas. Tanto estes como aqueles laboram em erros, porque aceitam uma teologia absurda que agride a razão e o próprio texto bíblico.

Deísta

Os deístas se dividem em duas correntes bem distintas: deísta independente e deísta providencial. O primeiro acredita em Deus e em todos os atributos como Criador. Segundo ele, Deus estabeleceu as leis gerais que regem o Universo e funcionam por si sós, naturalmente, automaticamente. Deus não interfere na vida humana. As criaturas fazem o que podem sem que Deus se importe. Não há providência. A oração não muda o curso das leis estabelecidas e por conseguinte não adianta orar agradecendo ou pedindo.

É uma posição egoísta e orgulhosa. Apesar de o homem trazer os recursos necessários para a sua evolução, não pode dispensar a ajuda divina, visto que a criatura no decorrer de sua evolução se assemelha a uma criança que precisa da proteção. Se o homem, na condição de pai, que é imperfeito, não abandona seu filho à mercê da sorte, Deus que é perfeito e pai amoroso, não teria procedimento contrário. O espírito, na sua evolução, aprende as leis divinas através do ensaio e erro e na sua insipiência necessita de proteção.

O deísta providencial, ao contrário, crê na existência de Deus e na sua intervenção incessante. Dirige-lhe as suas preces e espera sua proteção divina, "mas não admite o culto exterior nem o dogmatismo atual". O futuro é incerto. O deísta tem a mesma concepção que os dogmáticos relativamente ao futuro da alma. Por conseguinte o comportamento não é diferente.

O materialismo, o panteísmo, o dogmatismo e o deísmo não têm condição de explicar científica e filosoficamente os problemas humanos, principalmente, a evolução, o destino, a desigualdade moral, intelectual e financeira, como também os problemas relativos à justiça e a lei de causa e efeito. Toda explicação afastando a lei de evolução material e espiritual não satisfaz à razão.

Espiritismo

É a melhor alternativa, porque é coerente com a realidade; aliás ele brota da observação da realidade. O Espiritismo se baseia nas leis da natureza: evolução, reencarnação, mediunidade, comunicação de espíritos, pluralidade de mundos habitados são fenômenos naturais. E a moral decorrente é maravilhosa. O indivíduo tem interesse em conhecer e aprofundar porque está consciente de seu livre-arbítrio e de sua responsabilidade. A morte não existe. O espírito sai de Deus simples e ignorante e volta, através da evolução, sábio e consciente. Ele conserva sempre a consciência de sua individualidade.