DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP
Se volvermos nossos olhos para as páginas da História, por certo, iremos sentir que as gerações se ligam através dos laços eternos nos surtos evolutivos. Os cenários sofrem as erosões dos tempos, assim, os palcos das civilizações foram modificados, mas, nós, os atores, somos os mesmos. E, vamos caminhando, nas lutas purificadoras, acalentando a esperança de alcançarmos degraus mais altos. Nos primórdios, fomos naturalmente conduzidos às atividades exteriores. Fomos pioneiros-desbravadores do caminho da natureza, para a solução dos nosso problemas vitais. Mas, depois de uma séria caminhada, paulatinamente, fomos adquirindo a nossa maioridade espiritual. Fomos descobrindo tochas apagadas e procuramos acendê-las com os nossos estudos e como os valiosos ensinamentos dos Filósofos Espiritualistas. Fomos, assim, caminhando, até que um dia, o nosso mundo se iluminou com a vinda do nosso Mestre Jesus. Os ensinamentos do Mestre perpetuaram-se nas páginas do seu Evangelho. Sim, meus amigos, o Evangelho do Mestre é aquela Ponte de Luz, ligando o nosso plano-terra ao Reino Maior do Espírito. Infelizmente, a pureza do Cristianismo não conseguiu manter-se imune. Homem ruim, por interesses próprios, misturou as ondas. Homem ruim misturou o joio no Bom trigal do Cristianismo Genuíno. O assédio das trevas avassalou os corações das criaturas. Decorridos alguns anos da lição santificante de Jesus, surgiram a falsidade e a má-fé e ambas se adaptaram às conveniências dos poderes políticos do mundo, desvirtuando-se-lhe todos os princípios, por favorecer doutrinas mescladas do materialismo interesseiro e da violência oficializada. Os Apóstolos do Mestre foram combatidos e sacrificados pelo "poder dominante", embalado por vulgares crenças mitológicas. Assim, os Emissários Divinos foram obrigados a capitular diante da ignorância que era crassa e supina. Estacionou-se o homem espiritual em seus surtos de progresso, entretanto, progrediu o homem-físico. O homem cresceu em tamanho físico, mas, espiritualmente, nada cresceu. Ergueu-se a casa, mas sem o sólido alicerce do Evangelho. O homem mais se preocupou com o seu engrandecimento material, movido pela ambição e pelo orgulho, mas deixou de lado o seu progresso moral. Em nossos dias, o homem já foi à lua, já sondou os abismos do oceano, mas, ainda, não aprendeu a andar, nas ruas, como homem evangelizado. A nossa História da Civilização humana, no campo espiritual, deixa muito a desejar. Vemos o conceito de civilização insultado por todas as doutrinas de isolamento, enquanto os povos se preparam para o extermínio e para a destruição. Quantos crimes são perpetrados, em nome do Evangelho. E, a dura realidade dos nossos dias, é que o homem não chegou a se evangelizar. Os Países que se dizem civilizados, infelizmente, armam-se com as mais possantes bombas-atômicas e, assim, a paz resplandece nas asas das fortalezas voadoras. e, "esses pássaros mecânicos que vomitam fogo", segundo o Apocalipse, representam uma ameaça constante para a humanidade. Em nome do Cristo, espalharam-se, nestes vinte séculos, todas as discórdias e todas as amarguras.
Sim, meus amigos, é chegado o tempo de um reajustamento dos valores humanos. As dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos "ais" do Apocalipse. As horas apocalípticas farão explodir uma tempestade de amarguras. Das consciências pesadas e enegrecidas rebentarão nuvens de lágrimas e de sangue. Ao crepúsculo deste século, sucederá profunda noite. Mas depois, surgirá uma nova aurora. Na aurora do terceiro milênio, Luzes Consoladoras envolverão a Terra regenerada no batismo do sofrimento. Socorrem-nos, neste ângulo, os ensinamentos do Perlúcido Professor Pietro Ubaldi, em livro "A Nova Civilização do Terceiro Milênio":
"Já se percebem no horizonte clarões da vida nova do Espírito. A vida não pára, é movimento que não se pode fazer parar. Assim, através do sofrimento, as leis da vida hão de reequilibrar o homem, que, a par de progresso material, conseguirá correspondente e proporcionado progresso espiritual". (primeira edição LAKE - fls. 6, 7, 10).
Podemos aduzir, ainda mais, que o Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de transição. Só o Espiritismo pode, na sua feição de Cristianismo Redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio. O Espiritismo, na sua pureza de origem, traduz o Evangelho do Mestre, a nossa eterna bússola norteadora, apontando-nos o rumo certo da nossa redenção espiritual. Podemos dizer, também, que, nesta virada de século, haverá a divisão das ovelhas do imenso rebanho. Abrir-se-ão horizontes verdejantes e luminosos para as boas ovelhas que tenham se identificado com a prática do Bem, entretanto, o cajado do pastor tangerá aquelas ovelhas que recalcitrarem no mal, conduzindo-as para o tenebroso redil das mais acerbas dores.
Sentimos, nestes nossos dias, que a atmosfera espiritual está carregada de densas e negras nuvens. Um vento frio e cortante parece denunciar a tempestade que se aproxima. A noite não tarda e, no bojo de suas sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja Misericórdia infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção. Lembremos a misericórdia do Mestre. Escudemo-nos no seu Evangelho e, amparados pela Prece, ouçamos a sua voz no âmago das nossas Almas:
"Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Na Casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fôra, Eu vo-lo teria dito; pois vou a aparelhar-vos o lugar, virei outra vez, e tomar-vos-ei para mim, para que lá onde eu esteja, estejais vós também". (João, XIV; 1:3)