LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER
de Ribeirão Preto, SP
Lembrando que o verbo intransitivo desanimar significa perder o ânimo, desalentar-se, perder a coragem, o valor ou alento, vamos tecer algumas considerações em torno do desânimo, procurando conhecê-lo melhor, no esforço de identificá-lo em nós, para dele libertarmo-nos.
Como surge o desânimo?
Ele se insinua suavemente, nas formas sistemáticas dos "eu não posso", "eu não consigo", "eu não sou capaz", "eu não estou preparado". E pouco a pouco inspira "o pessimismo e mal-estar, que se agrava, qual o invasor que conquista, passo a passo, os espaços abandonados à sua frente".
Quando surge o desânimo?
Nas tarefas consideradas difíceis; nas desilusões em relação as pessoas, a trabalho; nas dificuldades diversas, como doença, desemprego, econômicas; nos medos do fracasso, das opiniões alheias; quando se toma consciência das próprias imperfeições em relação ao ideal almejado e em outras tantas situações que a vida nos oferece.
O desânimo surge pela ausência de coragem para enfrentar determinadas situações consideradas difíceis
Por quê sentimos e agasalhamos o desânimo?
1 - Porque somos ainda Espíritos imperfeitos, transitando "pela faixa etária espiritual da adolescência, entre a infância e a juventude espiritual", muito bem exposto por Ney Lobo no seu livro "Filosofia Espírita da Educação" volume 1.
Os Espíritos criados simples e ignorantes, com determinação divina de atingirem, pelo desenvolvimento intelectual e moral, a perfeição e a felicidade, no seu processo evolutivo, passam também por faixas etárias que vão desde a infância até a maturidade espiritual, não sofrendo a velhice e a morte.
E os Espíritos que compõem a humanidade terrena, acreditamos nós, se encontram, na sua grande maioria na adolescência, razão pela qual somos ainda tão inseguros, vacilantes, medrosos, fracos no direcionamento de nossos esforços no bem, na vontade de compreender e vivenciar as leis de Deus.
2 - Por causa da não aceitação consciente da imortalidade do Espírito, que continua sua vida individual após a morte do corpo, levando o homem a valorizar as situações desagradáveis, as dificuldades e os problemas próprios da vida material e próprios também do grau evolutivo de imperfeição do ser, sentindo-se, pois, incapaz, inseguro e desanimado.
Isto acontece mesmo com aqueles que aceitam essa imortalidade espiritual com conservação da individualidade pela razão, não tendo conseguido sentir, pensar e agir dentro dessa certeza, continuam analisando, interpretando os fatos, os acontecimentos em função de uma só existência que termina com a morte do corpo, e... surge, então o desânimo no viver.
3 - Pela falta de confiança plena em Deus, no seu amor e sabedoria e no amparo da Espiritualidade Maior, constituída por Espíritos que, pelas conquistas intelectuais e morais compreendem nossas dificuldades, pelas quais já passaram, auxiliando-nos sempre.
Quando porém, a certeza da vida contínua nos planos material e espiritual constitui a base, o alicerce, o princípio de todas as reflexões sobre o ser, a vida e os problemas diversos, o homem é estimulado a compreender esses problemas como fatos, experiências naturais, produtos da sua imperfeição e do mundo aonde vive.
E compreende, percebe, sabe que as dificuldades se constituem em desafios a serem conhecidos, enfrentados, na busca das melhores soluções, com coragem, com serenidade, como instrumentos de aprendizado.
E aí, o desânimo não encontra guarida. O homem se sente animado, estimulado ao trabalho, à ação, a viver o melhor possível. Passa a ver a vida na Terra, com tudo que há nela, como amiga, como oportunidade de crescimento, de aprendizado, de convivência agradável, de felicidade!
Quais as conseqüências do desânimo?
Tarefas não cumpridas; vidas improdutivas; parada na caminhada evolutiva ou desenvolvimento lento, em desacordo com as próprias potencialidades e com o desenvolvimento intelectual da humanidade.
Por quê devemos incentivar em nós e ao redor de nós o ânimo, a alegria e afastar o desânimo?
Porque sendo ainda Espíritos imperfeitos; inacabados, trazemos em nós, em nossa essência, todas as potencialidades divinas que estamos desenvolvendo; trazemos em nós a alavanca da vontade que nos cabe usar sempre para o melhor; e vivemos em um mundo maravilhoso em todos os aspectos, no qual a beleza, os recursos diversos nos facultam as experiências necessárias ao nosso desenvolvimento e à nossa felicidade.
Saibamos agradecer o que somos, o que temos, buscando sempre o melhor para nós e para os outros, confiemos em Deus, na Espiritualidade, nas leis divinas, em nós e nos outros e o desânimo não se aninhará em nossos corações.
Bibliografia: "Otimismo" de Joanna de Ângelis, lição 11.