Dificuldades de aproximação

ORSON PETER CARRARA
de Mineiros do Tietê, SP

Um tesouro de conhecimento está depositado nas mãos dos espíritas. A Revelação Espírita reveste-se de um caráter altamente progressista e renovador, trazendo muitas luzes ao caminho humano, com verdadeiro roteiro para a solidariedade e a fraternidade.

Os espíritas, por sua vez, embora vivam as alegrias que o ambiente de suas agremiações proporciona - fruto mesmo da própria conseqüência do estudo e trabalho espírita -, sentem algumas dificuldades de aproximação com outros grupos espíritas.

Esta afirmação não pode ser considerada regra geral, pois que há muitos grupos unidos, trabalhando juntos e ao mesmo tempo em que realizam muito de maneira comum, usufruem das enormes vantagens e felizes frutos da união de esforços.

Mas, como ainda lutamos com as próprias imperfeições e portanto, estamos sujeitos aos famosos melindres pessoais e coletivos, aos medos sem fundamento, e ao desconhecimento dos enormes benefícios da união entre espíritas, perdemos em muitos casos, as sadias oportunidades de realizar algo mais em favor da Causa e portanto do Movimento Espírita em seu contexto geral. Analisemos cada citação.

1) Os melindres surgem porque achamos que querem nos impor idéias ou porque achamos que não concordam conosco. Isto ocorre individualmente ou coletivamente. Ora, discordar é algo natural. Estamos em estágios diferentes de entendimento e ninguém é obrigado a concordar conosco, nem somos obrigados a concordar com o que os outros fazem... Porém, e apesar das divergências de interpretação ou de ações, nada impede que estejamos juntos no trabalho comum, pelo menos considerando os pontos em que temos algo em comum. A liberdade é nossa maior conquista e deve ser respeitada. Por isso, quando discordarem de nós, ótimo! Sinal que não somos cópias e desde que possamos agir com bom senso e discernimento, respeito e bondade, tudo está bem... Se quiserem nos impor idéias, também não somos obrigados a aceitar, pois que temos a própria formação. Se estivermos com a razão, tudo está bem. Se estivermos em erro, breve saberemos e poderemos acertar.

2) Quanto aos medos, tão largamente guardados ou expostos, são todos sem fundamento. Não estamos no Movimento para concorrer entre si, nem para desmerecer uns aos outros. Estamos numa Causa Comum, sabemos de sua importância e alcance, e o medo só provoca atrasos na Grande Obra. Como NÃO SOMOS donos da verdade, não há o que temer... Não temos que dar explicações a ninguém, a não ser à própria consciência. Façamos, isto sim, a nossa parte, com amor e desprendimento, entregando nossos esforços a Jesus, para que Ele multiplique os frutos de nossa semeadura.

3) O desconhecimento dos benefícios da união entre os espíritas, talvez seja o mais grave entre os itens citados e de conseqüências mais amplas para a Causa Maior do Espiritismo. Enquanto os melindres e os medos ficam localizados naqueles que lhes dão importância e portanto os prejuízos ficam restritos àqueles que os valorizam, a ignorância (não no sentido pejorativo, mas como sinônimo do desconhecimento mesmo) desses benefícios gera graves danos ao Movimento, pois que "cheirando a indiferença" e distância ou alheamento aos frutos coletivos da união, tendem a envolver grupos inteiros, instituições e lideranças, com sotaques de agressões gratuitas e antifraternas. E pior, criam divisões, racham esforços consolidados, atrasam a marcha e a nada levam. Esse desconhecimento não é um puro desconhecimento por si só, mas é ausência de estudo doutrinário, pois que este nos convida ao "mãos à obra" num momento difícil da história, onde estas questiúnculas nos levam apenas a desperdiçar o precioso tempo que deveria ser usado para construir a fraternidade e o amor, ao juntar esforços com os Espíritos Benfeitores que lutam para implantar o Reino de Deus no sofrido planeta. Mas, então as dificuldades existem. O que fazer

Bom, o melhor mesmo é continuar trabalhando, deixando as águas turvas passarem com seu barulho e fazendo aquilo que nos compete, sem se preocupar com o que os outros fazem. Aliás, o problema está aí mesmo: a preocupação exagerada com o que os outros fazem. Vale aqui uma consulta ao EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, em seu capítulo X, na mensagem assinada por JOSÉ, Espírito Protetor, e intitulada A INDULGÊNCIA. Após profundas considerações, o autor conclui: "(...) a indulgência atrai, acalma, reergue, ao passo que o rigor desencoraja, afasta e irrita." E... recordar os permanentes apelos do Dr. Bezerra de Menezes, conclamando os espíritas a unirem esforços...

Mas, ora, chega de dificuldades. Falemos sim dos benefícios:

1) Formação de uma ampla consciência doutrinária, pois que fruto do amadurecimento pelo estudo proporcionado pelo crescimento dos níveis de divulgação; 2) Conquista de espaço para melhor espalhar e divulgar a mensagem espírita, objetivando ajudar o homem; 3) Uso da fraternidade; 4) Aprimoramento dos Centros e suas atividades; 5) Realizações conjuntas; 6) Melhoria do quadro social da Terra pela conscientização coletiva; 7) Muito mais sintonia com Jesus e Benfeitores Espirituais; 8) Progresso acentuado das criatura humanas Daria para enumerar muito mais itens. Pensemos nisto. O que estamos fazendo?