DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP
Pergunta-me gentil confreira e minha assídua leitora, se eu guardo temor da mote. Posso responder, dizendo que, desde jovem, quando iniciei-me nos estudos da Doutrina, passei a encarar o fenômeno da mote com naturalidade. Sou de família espírita e, nestas alturas dos acontecimentos, após tantos anos de espiritismo, posso declarar à minha prezada Confreira que não tenho medo da morte. Lembro-me, quando ainda estudante do ginásio, há muitos anos, nas minhas férias, eu as fruía na companhia dos meus saudosos Pais, ambos Espíritas Kardecistas da velha guarda. Então, lá no nosso sempre lembrado Sítio das Pedras, na nossa casa modesta, à luz da lamparina, juntamente com meus familiares, fazíamos a leitura dos Livros Básicos de Kardec e, em conseqüência, recebíamos noções claras e objetivas sobre a Imortalidade da alma.
Sim, prezada Confreira, todos os anos da minha vivência, à Luz do Espiritismo, por certo, serviram para espancar as trevas das minhas dúvidas, outrossim, para ampliar os horizontes da minha crença inabalável sobre a vida futura, no Plano Maior, deixa de ser uma hipótese para ser uma realidade. O estado das Almas depois da morte, tornou-se para mim uma revelação segura. Para os meus olhos, felizmente, ergueram-se os véus e o mundo espiritual se me apresenta na plenitude de sua realidade prática. Sim, querida Irmã, os próprios habitantes desse Mundo Maior, da quarta dimensão, gentilmente, vêm relatar a sua situação e, ao mesmo tempo, também, vêm incentivar-nos a prosseguirmos na nossa jornada, sempre fiéis aos princípios doutrinários que abraçamos. Os habitantes do Mundo Maior, pelos legítimos canais mediúnicos, relatam-nos os graus de evolução em que se encontram, mostrando-nos as fases da vida espiritual. Aludidas fases da vida dos Espíritos desdobram-se em momentos de felicidade ou em momentos de amargura, dependendo da própria evolução de cada Espírito. Já disse o nosso Ínclito Cairbar Schutel: "tal vida, tal morte". O que se passa conosco aqui, no nosso plano mais denso, também se reproduz, em escala mais ampla, no Plano da Espiritualidade.
Ante o exposto, prezada Confreira, eis aí a razão pela qual, como Espírita, passo a encarar a morte com tranqüilidade, calmamente. Espero fruir esta mesma serenidade, nos últimos momentos, quando de minha passagem para o Continente da Alma. Não só tenho a esperança, mas tenho a plena certeza da continuidade de minha vida, em plano melhor, onde as flores não murcham e os pássaros não cessam de cantar. Sei, prezada Irmã, que a minha vida futura será a continuação de minha vida terrena. Se aqui tenho me esforçado para divulgar os maravilhosos princípios do Espiritismo, lá do outro lado, por certo, continuarei, sendo o mesmo Jornalista Espírita, acalentando sempre o afã sincero de manter o Archote sobre o Velador. Peço a Deus que me conceda a Graça de continuar a minha caminhada nesta mesma avenida em que me encontro. Querida Irmã, aguardo a minha passagem, (desencarne), com a mesma confiança que sempre aguardei o despontar do Sol após uma noite caliginosa.
Os motivos desta minha confiança na Vida Futura, por certo, decorrem dos fatos que já testemunhei e da concordância desses fatos com a lógica, com a Justiça e Bondade de Deus.
Para mim, prezada Irmã, como para todos os Espíritas, a alma não é uma abstração; não é uma vaga neblina que se dissipa. Perante a nossa Doutrina, a alma tem um corpo etéreo, (perispírito), que a define e que a caracteriza. Assim, o Espírito se nos apresenta através de uma forma concreta, conservando, praticamente, as mesmas características da sua última roupagem física.
Os nossos parentes e amigos desencarnados não se encontram perdidos nas profundezas do Espaço, mas, estão, muitas vezes, ao nosso derredor, inspirando-nos, amparando-nos, guiando-nos. O mundo corporal e o mundo espiritual identificam-se em perpétuas relações, assistindo-se mutuamente. Sim, querida Irmã e minha assídua leitora, nestas circunstâncias, não é mais possível alimentarmos a dúvida acerca do futuro e assim desaparece o temor da morte. Eis porque, devemos encarar a aproximação da morte a sangue frio, como quem aguarda a libertação pela porta da vida e não pela porta do nada.
Assoalhando nestas razões, só me resta ratificar o que já sustentei no início desta nossa modesta crônica:
NÃO, PREZADA IRMÃ, NÃO TENHO MEDO DA MORTE.
Quando terminei de datilografar a presente crônica, por inspiração, veio-me a seguinte quadrinha:
Não tenho medo da morte
Que da vida é portal
Se lhe consome o xerox
Lhe devolve o original...