Editorial
E O MUNDO NÃO ACABOU
No mês passado, muito se comentou sobre o fim do Mundo. Os meios de comunicação de massa não pouparam espaço, nem tem tempo para explorar esse tema, considerando a enorme expectativa do grande público, com relação ao destino do Planeta Terra.
Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, sensível a essa preocupação humana, achou por bem perguntar aos Espíritos Superiores, se o futuro pode ser revelado ao homem - ao que os Espíritos responderam: "Em princípio, o futuro lhe é oculto e não é senão em casos raros e excepcionais que Deus permite a revelação". (Questão 868 de "O Livro dos Espíritos").
A euforia generalizada de agosto passado, em torno do fim do Mundo, deu-se em virtude da revelação profética de Nostradamus - forma latinizada do sobrenome de Michel de Notre-Dame, médico e astrólogo francês (1503-1566), familiarizado com visões proféticas. Quando se cumpriu sua predição da morte trágica de Henrique II, sua fama ultrapassou fronteiras da França e muitos lhe atribuíram o dom profético. Consta que foi um homem generoso e culto, o que o tornaria uma pessoa confiável e isenta de qualquer suspeita.
A questão relativa ao conhecimento do futuro sempre foi motivo de interesse e especulação do ser humano.
No livro "A Gênese" (1868), no capítulo referente à "Teoria da Presciência", Allan Kardec faz referência a Nostradamus e não põe em dúvida as suas faculdades mediúnicas precognitivas - porém, esclarece que, sob o foco dos ensinamentos espíritas dos dias atuais (1868) - esses avisos são interpretados como advertências do que predições propriamente ditas, as quais implicariam em uma fatalidade absoluta.
A Doutrina Espírita esclarece-nos que o nosso globo progride, fisicamente, pela transformação dos elementos que o compões e, moralmente, pela depuração das duas Humanidades, encarnadas e desencarnadas. Por outro lado, a Ciência oficial corrobora a afirmativa espírita que a Terra não está livre de comoções regionais localizadas, pois essas fazem parte de um processo de aplanamento que leva a restabelecer o equilíbrio do solo terrestre. Daí, a ocorrência de abalos naturais, ocasionando desencarnações coletivas, como recentemente aconteceu na Turquia.
Entretanto, é da luta de idéias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes generalizadas que levem à destruição do Planeta.
"Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as entranhas da Humanidade" - afirmam os Espíritos.
Apesar da presença do mal ainda ser evidente na face da Terra, o nosso Planeta nunca assistiu a tão grande manifestação de solidariedade e fraternidade como nos tempos atuais.
Certamente, o Criador, na Sua visão de futuro, jamais optaria pela destruição de sua Criação, justamente agora, quando, nos corações de seus filhos, começam a brotar as sementes de Amor que Ele depositou num passado distante, quando fomos criados.
Pense Nisso. Pense Agora!